Exodontia complexa: Sinais radiográficos que te ajudam a identificar

A exodontia é um procedimento realizado rotineiramente na prática odontológica. E como qualquer outro procedimento cirúrgico, está sujeito a complicações. Hemorragias, danos neurossensoriais, sintomatologia dolorosa persistente e infecções pós-operatórias são relatos existentes em algumas delas. E seu eu contar para vocês que alguns desses danos podem ser evitados?

Não sei vocês, mas eu sou da premissa, “O seguro morreu de velho” e com isso quero dizer que, com sabedoria, é possível tomar precauções para evitar surpresas desagradáveis. E como aplicar isso no planejamento cirúrgico? Pois bem radiologistentos, temos a nossa disposição um exame complementar mágico que pode trazer informações valiosas. Estou falando dos exames de imagem, ferramentas essenciais para um ótimo planejamento cirúrgico, digno até de ser um super poder.

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Como a radiologia pode me ajudar no planejamento de exodontia?

Os exames de imagem constituem importantes aliados na avaliação pré-cirúrgica nos procedimentos de exodontia. Vou elencar algumas informações identificáveis nos exames de imagem que podem auxiliar no planejamento cirúrgico:

  1. Anatomia dentária

Dilacerações coronárias e radiculares (quando o dente é um pouco tortinho e não segue o longo eixo normal) são agentes que aumentam a complexidade das exodontias. As dilacerações laterais são facilmente identificadas nas radiografias bidimensionais, já as vestíbulo-linguais necessitam de variação de angulação ou da tomografia para diagnóstico. Em dentes multirradiculares também é possível observar a convergência e divergência das raízes também, podendo-se planejar de antemão as odontosecções.

  1. Posicionamento

Verificando a distância do dente retido com o rebordo alveolar ou com a borda anterior do ramo da mandíbula, conseguimos verificar e planejar com mais segurança as relações ósseas do dente retido, seu nível de impacção e com isso, a necessidade ou não da osteotomia.

Outro dado importante é a sua angulação. Os dentes podem estar posicionados de forma vertical (geralmente mais favorável à exodontia), mesioangulados (exodontia mais complexa nos casos de 3os molares superiores), distoangulados (exodontia mais complexa nos casos dos 3os molares inferiores), em posição horizontal, em posição transversal, entre outros.

  1. Relação com estruturas vitais e dentes adjacentes

Ao se planejar uma exodontia, devemos observar as estruturas vitais como por exemplo, seios maxilares, canal nasopalatino, fossa nasal, canal mandibular, forame mentual, sem mencionar algumas variações anatômicas; assim como os dentes nas proximidades. Devemos respeitar os limites dessas estruturas para não gerar danos sensoriais, desgastes dentários desnecessários, comprometimento dos dentes adjacentes, hemorragias, etc…, contribuindo com um planejamento mais adequado e, portanto, de um melhor prognóstico do paciente. O escurecimento das raízes no canal mandibular é um sinal radiográfico importante de proximidade com o feixe vásculo nervoso que passa no seu interior.

  1. Outros motivos para retenção

Em alguns casos o dente retido possui tudo de favorável para a exodontia, mas há ainda outros fatores como presença de cistos, tumores, odontomas, dentes supranumerários, anquilose ou até mesmo somente um osso mais denso que podem influenciar na complexidade da cirurgia, e eles também são identificáveis nos exames radiográficos.

Raio x portátil

Agora que vimos todas as informações que os exames radiográficos podem oferecer. Você sabe qual o melhor exame radiográfico para planejamento de exodontia?

>>>Leia mais: A radiografia panorâmica no processo de diagnóstico na odontologia

As radiografias bidimensionais como a panorâmica e a periapical são as modalidades mais utilizadas para o planejamento de exodontias e vemos uma crescente utilização da tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) também.

Mas afinal, qual deve ser a técnica de escolha no momento da exodontia?

A TCFC elimina as imagens fantasmas, sobreposições, ampliações e distorções geométricas inerentes às técnicas bidimensionais, mas talvez eu venha acrescentar um dado chocante para vocês: na maioria dos casos, os exames bidimensionais são suficientes para o planejamento cirúrgico. Cada caso deve ser julgado individualmente, nos casos com os indicativos radiográficos de complexidade demonstrados nesse artigo, a TCFC deve ser solicitada e está relacionada à diminuição da prevalência de lesões temporárias do nervo alveolar inferior e favorece resultados cirúrgicos. Ou seja, a TCFC não deve ser o exame de escolha, pois devemos considerar também a maior exposição à radiação e maiores custos ao paciente. Quando necessária, devemos utilizar o menor FOV possível e respeitar as nossas já conhecidas medidas de radioproteção 😉.

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Sobre a autora:

Profa. Msc. Phd. Thaís Sumie Nozu Imada-Pivetta | @radiologistasonline

  • Graduada em Odontologia pela FOB/USP
  • Especialista em Radiologia Odontológica e Imaginologia pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/USP-Centrinho)
  • Mestre e Doutora em Estomatologia pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP)
  • Doutorado Sanduíche na KULeuven (Bélgica)
  • Aperfeiçoamento em Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico turma Marcelo Cavalcanti (FUNDECTO-USP)
  • Aperfeiçoamento em Tomografia Volumétrica (INDOR)
  • Aperfeiçoamento em Odontologia Hospitalar (FOB/USP)
  • Aperfeiçoamento em Cirurgia Oral Menor e Cirurgia Periodontal (APCD-Bauru)
  • Professora do Curso de Odontologia da UNIGRAN
  • Professora do Curso Tecnólogo em Radiologia UNIGRAN
  • Sócia proprietária das clínicas Maxilare-MS Radiodiagnóstico Odontológico
  • Gerente operacional equipe de telelaudo Radiologistas Online

 

Referências:

Tomografia ou radiografia para avaliação de terceiros molares inferiores. Blog da Associação brasileira de radiologia odontológica e diagnóstico por imagem ABRO.

White & Pharoah. Radiologia Oral. Princípios e Interpretação. 7ª ed.

Radiation Protection No. 172. Cone Beam CT for dental and Maxillofacial Radiology (Evidence-based guidelines). Sedentexct project.

Ghaeminia H, Meijer GJ, Soehardi A, Borstlap WA, Mulder J, Vlijmen OJ, Bergé SJ, Maal TJ. The use of cone beam CT for the removal of wisdom teeth changes the surgical approach compared with panoramic radiography: a pilot study. Int J Oral Maxillofac Surg. 2011 Aug;40(8):834-9. doi: 10.1016/j.ijom.2011.02.032. Epub 2011 Apr 19. PMID: 21507612.

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Guerrero ME, Nackaerts O, Beinsberger J, Horner K, Schoenaers J, Jacobs R; SEDENTEXCT Project Consortium. Inferior alveolar nerve sensory disturbance after impacted mandibular third molar evaluation using cone beam computed tomography and panoramic radiography: a pilot study. J Oral Maxillofac Surg. 2012 Oct;70(10):2264-70. doi: 10.1016/j.joms.2012.04.015. Epub 2012 Jun 16. PMID: 22705219.

Matzen LH, Berkhout E. Cone beam CT imaging of the mandibular third molar: a position paper prepared by the European Academy of DentoMaxilloFacial Radiology (EADMFR). Dentomaxillofac Radiol. 2019 Jul;48(5):20190039. doi: 10.1259/dmfr.20190039. Epub 2019 Mar 5. PMID: 30810357; PMCID: PMC6747425.

 

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