Exostoses e Bruxismo: qual o tratamento?

Exostoses, conhecidas também como tórus, são crescimentos ósseos benignos que acometem as corticais ósseas. Alguns autores denominam exostose quando esse crescimento é localizado nas faces vestibulares de mandíbula e maxila, assim como os tórus seriam o mesmo crescimento pela face lingual e/ou no palato.

Independente da nomenclatura, não se sabe ao certo as causas que levam as exostoses, porém sabemos que elas podem estar associadas ao hábitos parafuncionais (bruxismo, apertamento ou batimento entre os dentes). Não há também causas bem definidas para o bruxismo.
O fato é que as exostoses, podem passar despercebidas pelos pacientes e até por nós cirurgiões-dentistas, a menos que, elas incomodem ou que sejam muito volumosas.

Eu não havia feito essa relação naqueles pacientes que apresentam os dentes muito atritados e exostoses bem acentuadas. Porém, congressos servem para isso e, foi em um desses, que escutei um colega falar, e realmente pude perceber que ele estava certo. Não existe muitos estudos sobre essa relação, mas deixo a dica: fotografe em boa qualidade com afastadores labiais, espelho oclusais e, se puder, faça modelos de estudo com silicona de adição, usando o “pesado” e o “leve”, para obtenção de modelos precisos.

Na anamnese nem sempre o paciente relata dor muscular, sensibilidade dental e descontentamento com a estética dos dentes desgastados. Por isso, é preciso um diagnóstico diferencial entre erosão, atrição, abrasão e abfração. Algumas vezes, há mais de uma causa. Outras vezes o paciente diz que quem dorme no mesmo quarto reclama do barulho do bruxismo. Talvez a maior causa do bruxismo seja a ansiedade e o estresse. Sabe-se que, a maioria dos bruxômanos são mais ansiosos do que os que não praticam o bruxismo.

O bruxômano pode chegar a exercer de 150 a 350 kg de força durante o período do sono. Os sinais são a face mais alargada, dentes anteriores com incisais translúcidos, por não haver suporte dentinário, diminuição da dimensão vertical de oclusão, queilite angular, alterações no alvéolo dental, espessamento do periodonto, exostoses, próteses instáveis, facetas de desgastes, perda de peso e olheiras. Os sintomas vão desde as cefaleias, dor de dente pela mobilidade dental, dor  na ATM e musculatura facial, espessamento periodontal, cansaço, sensibilidade dental e dificuldade para comer.

O tratamento pode ser multidisciplinar com acompanhamento do psicólogo, psiquiatra, fonoaudiólogo, médico e do cirurgião-dentista. O tratamento pode e até deveria se iniciar pela aplicação da toxina botulínica nos músculos masseteres e temporais (adulto). Crianças também podem receber toxina, mas não se preconiza o uso de toxinas em idade inferior a 2 anos. Crianças a partir dos seis anos são indicadas para esse tipo de tratamento, podendo haver necessidade de tratamento antes mesmo dessa idade. Como sabemos, não existe uma regra exata quando tratamos de saúde. Em crianças o mais indicado é apenas a aplicação no músculo masseter. Outra dica muito importante é que, as crianças com rinite alérgica quando estão dormindo rangem os dentes, ou seja, fazem o bruxismo para desentupir a tuba auditiva. Placas interoclusais podem fazer parte do plano de tratamento, mas seria uma opção após o restabelecimento oclusal. Sabe-se que a recidiva após a suspensão das placas é elevada.

Medicamentos naturais ou não também podem ser indicados se bem prescritos. Talvez essa seja a parte mais difícil de tratar, pois a ansiedade não desfavorece apenas o sistema estomatognático, ela desfavorece a pressão arterial, batimentos cardíacos e respiração, o que piora o quadro de insegurança, inquietação, sudorese e os distúrbios psicológicos de uma forma geral.

A posição de dormir também pode favorecer o bruxismo. E em todas as áreas da saúde, recomendamos  a higiene do sono como terapia. O tratamento cirúrgico das exostoses somente ocorrem quando elas afetam a dicção, deglutição, a confecção de próteses, a estética e, em alguns casos, quando esses tórus são muito acentuados e há a necessidade de se entubar para alguma cirurgia. Quando os pacientes relatam sempre haver lesões traumáticas nas regiões de exostoses, é o caso de se pensar na remoção cirúrgica.

Referências

1- Afreen B.A., McAndrew M. Use of Botulinum Toxin in Dentistry.

2- Amantéa D.V., Novaes A.P., Campolongo G.D., Barros T.P. A utilização da toxina botulínica tipo A na dor temporomandibular. JBA, Curitiba, v.3, n.10, p.170-173, abr./jun. 2003.

3- Branco R. S., Branco C. S., Tesch R.S., Rapoport A. Frequência de relatos de parafunções nos subgrupos diagnósticos de DTM de acordo com os critérios diagnósticos para pesquisa em disfunções temporomandibulares (RDC/TMD).

4- Chen S. Clinical Uses of Botulinum Neurotoxins: Current Indications, Limitations and Future Developments. Department of Applied Biology and Chemical Technology, The Hong Kong Polytechnic University. Received: 13 August 2012; in revised form: 9 October 2012 / Accepted: 12 October 2012 / Published: 19 October 2012.

5- Ihde S.K., Konstantinovic V.S. The therapeutic use of botulinum toxin in cervical and maxillofacial conditions.

6- Mello M.M.  Toxina botulínica tipo A – propriedades farmacológicas e uso clínico.

7- Monroy P.G., Fonseca M.A. The Use of Botulinum Toxin-A in the Treatment of Severe Bruxism in a Patient with Autism: A Case Report.

8- Niamtu, J. Botulinum Toxin A: A Review of 1,085 Oral and Maxillofacial Patient Treatments.

9- Pacheco A.T.R. Aplicabilidade da Toxina Botulínica e dos Preenchedores na Dentística.

10- Pradeep S., Rao L., Sangur R. Application of Botulinum toxin Type A: An arsenal in dentistry. Indian Journal of Dental Research. 22. 3 (May-June 2011): p440. http://www.medknow.com

11- Schwartz M., Freund B. Treatment of Temporomandibular Disorders with Botulinum Toxin. The Crown Institute, Toronto, Ontario, Canada.

12- Teive H. A.G., Kluppel L.E., Munhoz R.P., Becker N., Muller P.R., Werneck L.C. Jaw-opening oromandibular dystonia secondary to Wilson’s Disease treated with botulinum toxin type A.

 

✍️ Deixe seu comentário

📢 Compartilhe com os amigos

🕵 Siga nossas redes:

➡ Facebook

➡ Instagram

➡ Twitter

➡ Pinterest

➡ TikTok

Acesse nossa Loja Virtual e encontre a solução completa para você na Odontologia!

Comentários

25 Comentários
  1. Gostei muito do artigo . O bruxismo em criança gostaria de le mais publicação e e sempre relativo há vários fatores!

  2. TEM UMA PACIENTE MINHA QUE TINHA BRUXISMO . COM ESSE PROBLEMA ELA PERDEU ALGUNS DENTES.FEZ TRATAMENTO COM UMA PISICOLOGA AQUI NO GAMA O QUAL FOI NECESSARIO FAZER REGRESSAO E EM 05 MESES DE TRATAMENTO PAROU O BRUXISMO.

  3. Gostei muito do artigo. Tenho um filho de 10 anos que tem bruxismo e muito me angustia. Gostaria de ver mais artigos sobre o tema.

  4. Há algumas afirmações que nso são cientificamente comprovadas.
    Sugiro que peça ao grupo da Sociedade brasileira de disfunção temporo mandíbular e dor facial (Sbdof) que faça o artigo. Pois terá mais atualizazacao sobre o assunto aí descrito.
    Desculpe o comentaria , e só p engrandecer o conhecimento.
    Obrigado. Paz

    • Olá Dr. José, obrigada por compartilhar com a gente suas impressões sobre o assunto! A Dra. Karyne, que é membro da Sociedade Brasileira de Toxina Botulínica e Implantes Faciais (SBTI) disponibilizou as referências do seu artigo, que agora você pode encontrar ao final do texto. Caso queria conversar mais com ela a respeito, seu e-mail fica à disposição: karynema@hotmail.com.
      Um grande abraço!

      • As referências disponibilizadas não apresentam forte crivo para publicação e muitas sequer são indexadas. Não é minha intenção tirar dúvidas com a colega, mas creio que muitas informações veiculadas nessa postagem careçam de veracidade e apoio científico, e conceitos corretos para colegas e população é fundamental.

  5. Vergonha uma publicação que chega a tantos dentistas colocar uma pessoa que não tem a menor qualificação para falar sobre o assunto. Apresenta tantas informações sem nenhum fundo científico que retiraria do informe

    • Olá Dr. Marcos, obrigada por compartilhar com a gente suas impressões sobre o assunto! A Dra. Karyne, que é membro da Sociedade Brasileira de Toxina Botulínica e Implantes Faciais (SBTI) disponibilizou as referências do seu artigo, que agora você pode encontrar ao final do texto. Caso queria conversar mais com ela a respeito, seu e-mail fica à disposição: karynema@hotmail.com. Um grande abraço!

    • Olá Rafael, que bom saber que gostou do artigo! Além de conferir as referências utilizadas, disponíveis no final no artigo, para conhecer mais sobre o assunto, você também pode tirar suas dúvidas com a Dra. Karyne através do e-mail karynema@hotmail.com. 😉

    • Que bom que gostou Daniela! Certamente abordaremos este assunto novamente. Não deixe de assinar nossa newsletter para receber os artigos sempre em primeira mão. Um abraço! 🙂

    • Ficamos felizes em saber que gostou Eloisa! Certamente abordaremos este assunto novamente. Não deixe de assinar nossa newsletter para receber os artigos sempre em primeira mão. 😉

  6. muito bom…e também necessito de mais informações terapêuticas sobre o bruxismo, principalmente em adultos!!! a ortodontia é um caminho?

    • Olá Juliana, ficamos felizes em saber que gostou do artigo! Além de conferir as referências utilizadas, disponíveis no final no artigo, para conhecer mais sobre o assunto, você também pode tirar suas dúvidas com a Dra. Karyne através do e-mail karynema@hotmail.com. Um grande abraço!

  7. Achei maravilhoso educativo este artigo. O nos faz confirmar que vivemos no ambiente muito sensível em que vem atingir a nossa sensibilidade atingindo o aparelho bucal .Cabe nos cirurgiões-dentistas conscientizar nossos pacientes e reabilitar

    • Ficamos muito felizes em saber que gostou Maria! Não esqueça de assinar nossa newsletter para receber os artigos sempre em primeira mão. 🙂

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.