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Guia para Odontopediatras que atendem sozinhos

Guia para Odontopediatras que atendem sozinhos
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Disciplina, organização e conhecimento. São três pontos chaves para nós, Odontopediatras, que assim como eu, realizam atendimentos sozinhos.

Em meus cursos costumo mencionar sobre esse perfil de doutor: quando sua secretária avisa que a mãe de uma criança ligou, a primeira reação é a taquicardia. Quando a mãe cita que o filho se acidentou e conta como ele bateu a boca, as mãos do dentista já começam a suar. E, nesse caso, que a mãe deseja atendimento urgente, quase convém chamar a emergência ao profissional que pensa.

Como lidar com essas situações?

Pois bem, o que minimiza a tensão do profissional e possibilita a concretização satisfatória do atendimento infantil até o fim, é se munir de técnicas e estratégias que torne a tríade: família, criança e profissional, bem coesa.

Para ajudar, vou lhe contar um pouco da minha expertise. Meu primeiro atendimento em odontopediatria foi no segundo ano de faculdade. Hoje estou com vinte anos de experiência, porém, cerca de um ano e meio da minha vida profissional eu tive auxiliar. Mas por que só isso? Iniciei Mestrado, três vezes dei um upgrade no meu consultório, e mudei de cidade.

Portanto, algo que aprendi em “Idas-e-vindas” é que de nada adianta querer atender um paciente odontopediátrico se não buscar entender todo o contexto, tanto do paciente, quanto familiar. Como eles pensam e quais são suas expectativas.

O principal não é a estrutura, como muitos acreditam. Não há a necessidade de ter um consultório-Disney, um parque de diversões para atrair a criança (até porque, a odontopediatria não é lúdica; utilizamos o lúdico como ferramenta complementar à nossa atuação) mas, compreender o CLIENTE, que é o responsável pelo nosso sustento.

Portanto, quanto mais estratégias positivas aplicarmos, maior a chance de sucesso e da necessidade da criança ser solucionada. Não há milagre, mas muito empenho e força de vontade do profissional. E vale reforçar que os detalhes fazem sim a diferença.

Ambientação no consultório

A primeira dica é o acolhimento da criança e seu(s) cuidador(es) desde a porta da sua recepção até o local onde vão lhe aguardar. É de suma importância que o trâmite de mudança de ambientes seja acompanhado, e as famílias acolhidas. A apresentação pessoal e comportamental do profissional está sendo avaliada pelos familiares que trazem de casa uma expectativa grande de que ele solucione o que o seu filho precisa. Agir dessa forma reduzirá a ansiedade do paciente e cuidador, assim que chegarem ao consultório.

O olhar do doutor, a vestimenta, o tom de voz sereno, as palavras de acolhimento aumentam a colaboração familiar.

Quando os cuidadores sentem segurança no profissional, também confiam em relatar mais as rotinas familiares, como a frequência de escovação da criança, a qualidade da dieta infantil e mais detalhes da rotina familiar. Assim, quanto mais informações nos passarem, maior as opções de tratamento que podemos oferecer e maior a chance da resolutiva e consequentemente, maior satisfação dos pacientes.

Além disso, uma sala tranquila de atendimento com uma luminosidade adequada, cantinhos divertidos e coloridos na altura das crianças, fazem a diferença. Ou seja, utilize de experiências sinestésicas positivas que auxiliam a criança a se identificar com você. Aromas delicados, ambiente climatizado e o uso de produtos odontológicos com sabores agradáveis também tornam a experiência positiva.

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6 Dicas de organização

Organizar seu consultório é de suma importância, siga os passos abaixo para ter sucesso:

  1. Observe se na sala de espera ou de atendimento não há objetos que podem causar riscos para a criança (ex: frasco pump de álcool gel em alturas grandes que, ao apertar, pode jogar o conteúdo nos olhos das crianças).
  2. Pergunte ao telefone o motivo da solicitação de agendamento para que tenha uma noção do que será necessário para atender. Monte uma bancada/instrumentais/materiais de consumo em casos de planos A, B, C, D… (exemplo: mencionou que quebrou uma restauração em resina composta, mas, ao avaliar clínica e radiograficamente, seria necessário o tratamento endodôntico urgente).
  3. Teste previamente os equipamentos: a cadeira odontológica está ligada? funcionando corretamente? Refletor ligando? Fotopolimerizadores sem fio estão com a bateria carregada? Alta e baixa rotação estão rosqueados e funcionam?
  4. Organize impecavelmente a bancada: instrumentos previamente selecionados, autoclavados e posicionados na mesa. Abridores de boca (colocar duas opções), materiais de consumo presentes para o respectivo caso clínico, sugador e outros.
  5. Evite interromper o atendimento clínico para “garimpar” instrumentais ou itens de consumo em gavetas.
  6. Cuide com o barulho dos instrumentais. A utilização de bandejas plásticas ajuda a evitar que o som dos instrumentais metálicos assuste o paciente.

O sucesso também envolve a destreza do operador, diagnóstico perspicaz e planejamento prévio com o uso de exames radiográficos adequados, aliado ao exame clínico feito preferencialmente em dente limpo.

Instrumentos e qualificações

O conhecimento das novas técnicas odontopediátricas baseadas em evidências científicas, com o investimento de materiais de excelência e que reduzem passos, facilitam e proporcionam mais conforto ao paciente, qualidade de procedimento, agilidade ao profissional e procedimentos menos invasivos.

Adesivos autocondicionantes, ionômeros de vidro encapsulados e coroas de acetato para reconstruções complexas, são alguns dos itens que podem ajudar.

Técnicas e manejos comportamentais

A Psicologia aplicada à Odontopediatria é fator fundamental nos atendimentos. O conhecimento das técnicas de manejos comportamentais auxilia muito no processo de compreender o desenvolvimento motor e psíquico em cada etapa da criança. Proporciona clareza de suas ações, ou seja, como cada criança reage aos desafios em consultório, e ajuda também na adaptação de técnicas que criam o elo Criança-Dentista.

A fim de tornar a comunicação mais límpida, direta e reduzir a confusão de compreensão, é muito importante que não haja falas atropeladas dos responsáveis e do dentista para a criança. Ademais, ouvir a criança é de suma importância.

Mostre sua disponibilidade em ajudá-lo. Deve-se explicar procedimentos com tom de voz suave e usar bonecos para esclarecer as técnicas previamente. Isso traz maior compreensão de que o que será feito não será aversivo (falar-mostrar-fazer). Por fim, outra dica para a criança trabalhar a autopercepção é utilizar espelhos para que ela segure e se veja.

Esses são alguns recursos e dicas para Odontopediatras, que se as aplicarem no dia a dia, terão ótimos resultados.

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