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Motor piezoelétrico: o aliado que todo cirurgião precisa ter

Motor piezoelétrico: o aliado que todo cirurgião precisa ter
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Quem já experimentou essa tecnologia, dentro de suas indicações, não tem mais vontade de voltar a utilizar brocas ou peças de mão. O motor Piezo (ou Piezelétrico) é uma realidade cada vez mais presente nos procedimentos cirúrgicos, visto que que aumenta a precisão e a segurança. Utilizado em cirurgias bucomaxilo faciais e na Implantodontia, o motor piezoelétrico também é usado na periodontia e ortodontia.

O que é e como funciona?

Em 1880, foi realizado um estudo pelos físicos Pierre Curie e Jacques Curie onde foi constatado que certos cristais (quartzo, topázio e turmalina) produziam uma corrente ou tensão elétrica quando recebiam determinadas pressões mecânicas. Eles deram o nome de “efeito piezoelétrico” para este fenômeno. A palavra “Piezo” vem do grego “piezein” que significa “pressão”.

Entretanto, até este fenômeno começar a ser utilizado na Medicina e na Odontologia houve uma grande evolução. Os primeiros relatos de sua utilização em cirurgias orais são do início dos anos 1980. Os motores de hoje geram um campo piezoelétrico através de ondas ultrassônicas, possuem irrigação com soro fisiológico e cortam osso sem machucar tecidos moles e nervos com uma precisão incrível.

Quais são as vantagens?

Controle total, cirurgias com mais fácil visualização, menor sangramento, precisão de corte e melhor reparação do tecido ósseo. Além disso, é ideal para corte ósseo próximo a estruturas nobres. Os motores possuem várias pontas, cada uma com sua função. Imagine um ultrassom que a gente utiliza na raspagem de cálculo dental, só que com oscilações tão fortes que permitem o corte do osso. Ele não corta nervos nem vasos sanguíneos!

Sua vibração é tamanha que consegue separar o oxigênio da molécula da água, tendo um efeito antibacteriano sobre a campo operado. O motor Piezo é indicado para os seguintes procedimentos:

  • Osteotomia e osteoplastia em cirurgias de terceiros molares ou outros dentes retidos
  • Levantamento de seio maxilar, preservando a membrana de Schneider na hora de confeccionar a loja de acesso,
  • Remoção de osso autógeno de área doadora para enxerto
  • Deslocamento dentário monocortical e distração ligamentar para ortodontia
  • Cirurgias plásticas periodontiais ou aumentos de coroa clínica.

Obviamente, como qualquer equipamento ou ferramenta, exige uma curva de aprendizado dos profissionais. Até porque ele funciona diferente de uma peça de mão ou alta rotação.

Mas, quais são as desvantagens do Motor Piezoelétrico?

A desvantagem mais discutida pelos usuários é o seu alto custo. Há um grande investimento inicial no motor propriamente dito e nas pontas. Apesar das pontas serem especialmente revestidas com nitreto de titânio ou mesmo diamante, alguns fabricantes sugerem que cada ponta seja usada apenas 10 vezes. Isso acaba envolvendo um investimento constante na troca dessas pontas que também não são baratas.

Conversando com cirurgiões bucomaxilo faciais e lendo algumas revisões de literatura, pude perceber que o uso do motor piezoelétrico não é muito indicado em grandes cirurgias ou na remoção de osso muito denso. Nesses casos, a grande maioria prefere recorrer a serras ou brocas. Principalmente, em cirurgias ortognáticas, que cortam grandes porções de osso ou em regularização de rebordos muito densos para posterior confecção de protocolo sobre implantes.

Como todo equipamento da Odontologia, ele é uma poderosa ferramenta que tem suas indicações precisas. Ele pode até ser dispensável nas mãos de um cirurgião mais experiente. Entretanto, facilita muito quando bem usado e indicado, trazendo ganhos no trans e no pós-operatório. Quem nunca experimentou, deveria, pelo menos, aproveitar em algum congresso encostar em um estande que tenha o equipamento e sentir seu poder corte e sua precisão com as próprias mãos. Você vai se surpreender!

Um Abraço,
Luiz Rodolfo

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