Novembro Azul: seja o herói da sua vida

Com o início de novembro voltamos nossas atenções para mais um movimento que objetiva alertar a população sobre câncer: o Novembro Azul. Esse movimento internacional, comemorado inicialmente na Austrália, em 2003, volta-se para a conscientização do público masculino a respeito do câncer de próstata.

No Brasil, o Novembro Azul foi criado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, com o objetivo de quebrar o preconceito masculino de ir ao médico e, quando necessário, fazer o exame de toque, e obteve ampla divulgação. Em 2014, o Instituto realizou 2.200 ações em todo o Brasil, com a iluminação de pontos turísticos (como Cristo Redentor, Congresso Nacional, Teatro Amazonas, Monumento às Bandeiras), adesão de celebridades, ativações em estádios de futebol, corridas de rua e autódromos, além de palestras informativas, intervenções em eventos populares e pedágios nas estradas.

A incidência do câncer de próstata é muito maior que a do câncer de mama, porém, o assunto muitas vezes não é tratado com a devida atenção pelo homem. A expectativa do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) é que, somente em 2014, tenham surgido 68.800 novos casos da doença no Brasil. Esse tipo de câncer é o que mais ocorre em homens em todas as regiões do nosso país, depois do câncer de pele.

O câncer de próstata está intimamente relacionado com a idade do paciente. Mais de 60% dos doentes foram diagnosticados com a doença aos seus 65 anos ou mais. Com esses dados, é possível perceber que o aumento da expectativa de vida em todo o mundo está bastante relacionado com os aumentos nos números de ocorrência da doença.

Além da idade, outros fatores parecem ter relação com o surgimento do câncer de próstata. Primeiramente devemos destacar que pacientes que apresentam parentes que tiveram a doença possuem risco aumentado de desenvolvê-la. Além disso, homens negros possuem mais chances de desenvolver a doença que homens brancos, assim como os obesos apresentam um maior risco.

Aliados a esses fatores, não podemos deixar de mencionar os hábitos alimentares pouco saudáveis. Uma alimentação rica em gordura, carnes e embutidos pode causar sérios problemas de saúde, inclusive o desenvolvimento de câncer de próstata. Sendo assim, controlar a alimentação, preocupando-se sempre em inserir vegetais na dieta, pode ajudar na proteção contra esse câncer.

O câncer de próstata é sempre tratado com muito preconceito pelos homens, principalmente em razão da realização do exame clínico (toque retal). Por isso, muitos preferem não procurar o urologista, fazendo com que o diagnóstico seja realizado tardiamente. O diagnóstico é feito pela análise dos resultados dos exames clínicos e do exame de sangue, denominado PSA (Antígeno Prostático Específico). Caso seja observada alguma alteração, uma biópsia deve ser realizada. A recomendação da realização desses exames depende da avaliação do médico. Normalmente é recomendado que eles sejam feitos a partir dos 50 anos de idade. Em pacientes que apresentam histórico familiar desse tipo de câncer, a recomendação é que os exames sejam feitos a partir dos 45.

Espera-se que as campanhas de conscientização sobre a doença no Novembro Azul incentivem os homens a procurarem o médico regularmente. Assim como no Outubro Rosa, durante todo o mês de novembro vários pontos turísticos do país e do mundo são iluminados, dessa vez no tom de azul.

Dúvidas Comuns:

– Quais os sintomas que podem indicar possíveis alterações na próstata?

O câncer de próstata não costuma causar sintomas na fase inicial. Portanto, torna-se importante a consulta rotineira ao urologista, com o objetivo de fazer o diagnóstico precoce da doença, por meio do PSA e do toque retal. A doença ocorre quando as células da próstata, glândula localizada próxima à bexiga, começam a se multiplicar dessa forma desordenada. Na fase inicial, o paciente não apresenta sintomas, o que torna imprescindível que os homens façam os exames específicos indicados pelo médico, a partir dos 45 anos. Homens que possuem histórico familiar da doença devem avisar seu médico.

– Pacientes com histórico familiar de câncer de próstata tem maior risco?

Quando existem na família parentes de primeiro grau com câncer de próstata, a chance de apresentar a doença é de duas a cinco vezes, dependendo da idade em que foi diagnosticado no parente e no número de membros que apresentaram o câncer.

– O exame de sangue pode substituir o exame da próstata?

O PSA é sim a melhor ferramenta para o diagnóstico do câncer de próstata, mas o exame de toque não o substitui. A maioria dos casos de câncer de próstata é diagnosticada por meio do PSA. Em muitos casos, porém, o resultado do exame não mostra muita elevação e percepção de um nódulo pode orientar a realização de uma biópsia da próstata.

– Existe prevenção?

Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco do câncer. Especialistas recomendam pelo menos 30 minutos diários de atividade física, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar.

– Qual é o Tratamento?

Caso a doença seja comprovada, o médico pode indicar radioterapia, cirurgia ou até tratamento hormonal. Para doença metastática (quando o tumor original já se espalhou para outras partes do corpo), o tratamento escolhido é a terapia hormonal. A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após médico e paciente discutirem os riscos e benefícios de cada um.

– A rede pública presta atendimento?

A Política Nacional de Atenção Oncológica garante o atendimento integral a todos aqueles diagnosticados com câncer, por meio das Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e dos Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon).

Todos os estados brasileiros têm pelo menos um hospital habilitado em oncologia, onde o paciente de câncer encontrará desde um exame até cirurgias mais complexas. Mas para ser atendido nessas unidades e centros é necessário ter um diagnóstico já confirmado de câncer por laudo de biópsia ou punção.

 Fonte: Novembro Azul, HSP – Hospital São Paulo

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