O impacto das drogas na saúde bucal

Infelizmente, as drogas vêm se tornando cada dia mais comum, principalmente pela facilidade de acesso que muitos jovens encontram. Seja por qual for o motivo, todos sabem que os efeitos são drásticos e que a recuperação não é nada fácil.

Além dos inúmeros problemas que elas podem causar, quando o assunto é saúde bucal a realidade não é diferente, problemas periodontais são frequentes em consultórios de odontologia, casos que vem aumentando drasticamente. Alguns sinais podem ser facilmente observados na hora da consulta, permitindo ao cirurgião-dentista, identificar que o paciente faz uso de entorpecentes. Porém, cada substância causa um efeito diferente à saúde bucal, por exemplo:

Álcool: Por ser uma substância que desidrata pode provocar irritação na mucosa bucal e despertar a sensação de ardência e secura da boca. Além disso, favorece o mau hálito, tanto pelos efeitos bucais gerados, como pela agressão ao aparelho digestivo/fígado.

Tabaco: Por conta do fumo, pacientes com gengivite tem até quatro vezes mais chances de ter a doença evoluída para perda de osso ao redor dos dentes (periodontites) o que pode ser fatal para a fixação dos dentes nas arcadas. Também existem evidências da relação entre o câncer bucal e o tabagismo. Na fumaça do tabaco já foram detectadas mais de 60 substâncias carcinogênicas.

Maconha: Como droga ilícita, “pode se relacionar a queimaduras na mucosa bucal, xerostomia e diminuição na osseointegração de implantes”.

Cocaína: Devido ao seu alto poder vasoconstrictor, “pode causar perfurações no septo nasal e palato duro e necrose na mucosa e osso alveolar quando esfregada na gengiva”.

Inalantes: Efeitos alucinógenos e de depressão do sistema nervoso central podem dificultar a rotina das pessoas e o poder de concentração para coisas simples e fundamentais a saúde, como higienizar os dentes ou retornar ao dentista para manutenções e avaliações de rotina. Além disso, tal qual o cigarro, podem minar as defesas orgânicas, diminuir o fluxo normal de saliva e abrir espaço para o surgimento e a piora de doenças bucais pré-existentes como cárie e gengivites.

Estimulantes: Este tipo de substâncias pode causar erosão nos dentes, ressecamento da mucosa da cavidade bucal e maior incidência de descamação gengival.

O coordenador do curso de especialização de Periodontia da Associação Nacional de Estudos Odontológicos (Aneo), e consultor científico da Associação Brasileira de Odontologia (ABO), Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes, afirma que  uma grande parte das drogas podem trazer repercussões indesejadas aos dentes, boca e seus tecidos: “Recentemente, a Federação Dentária Internacional (FDI) listou mais de 700 drogas e formulações que podem trazer transtornos de fluxo salivar, por exemplo. Sem falar no potencial hiperplásico para gengivas e mucosas, a partir de algumas drogas – caso de anticonvulsivos”.

Seguindo esta premissa, Moraes também diz que “O papel do cirurgião-dentista, ao constatar que um paciente é viciado em drogas, como todo profissional da saúde, é intervir e questionar abertamente para orientar à busca de tratamento especializado em saúde, com profissionais aptos a lidar com a situação. Médicos, psiquiatras e psicólogos fazem a diferença nesta trama multidisciplinar voltada ao apoio à saúde do dependente químico”.

Portanto, é fundamental que os profissionais da área odontológica conheçam as causas e sintomas das principais drogas lícitas e ilícitas, além de auxiliar no combate ao consumo de alimentos e bebidas que prejudicam os tratamentos na anamnese, antes de qualquer tratamento.

Além disso, não deixe de conferir os outros artigos relacionados ao tema que já foram publicados aqui no blog e saiba mais sobre o tema.

Fontes: Odonto Magazine, Terra, Jornal Odonto

Comentários

Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.