Oclusão em tratamentos protéticos odontológicos

Sabidamente, a oclusão é um dos fatores mais importantes quando pensamos em longevidade de tratamentos protéticos odontológicos. Em qualquer tipo de prótese ou restauração, a relação entre a arcada superior e a inferior deve ser considerada e testada antes de você dar alta aos pacientes.

Por isso, dentro da Implantodontia, devemos entender bastante sobre os movimentos mandibulares e é nossa obrigação “testar” a mordida e realizar todos os ajustes necessários.

Passos para a oclusão perfeita no tratamento de implantes

Sem ser redundante, temos que começar do começo. Cada passo da cirurgia de implante e da prótese será vital. É preciso minimizar erros, não economizar e nem pular etapas. Como já relatei em inúmeros artigos aqui no Blog, planejamento reverso é a chave do sucesso. É o seu passaporte para um sono tranquilo, com direito a poder babar no travesseiro. Por isso, você precisa estar de olho na oclusão em todas as fases do seu tratamento.

Primeiramente, você posicionou o implante no melhor lugar possível pensando de maneira tridimensional. Checou o espaço interoclusal e interdental. O implante osseointegrou e está na hora de realizar sua prótese e colocar carga. A reabertura foi realizada com sucesso e seu implante já está com cicatrizador condicionando a gengiva há 15 dias.

Neste momento, você escolheu os componentes que irá utilizar e vai para o primeiro procedimento chave visando o sucesso final dessa prótese: a moldagem. Se possível, utilize silicones de adição (pesado e leve) e uma técnica adequada de união dos munhões, caso esteja trabalhando com mais de um implante.

Se não copiou legal, ou se houve alguma dúvida sobre a precisão da moldagem, não há demérito nenhum em repetir. Pois, erros na moldagem de transferência podem dar problemas sérios de oclusão lá na frente.

Posteriormente, você vai receber o coping do laboratório. Tome como exemplo uma prótese metalocerâmica. A prova do coping é outro momento essencial. Ao encaixar a peça e fazer o paciente morder, você precisa enxergar ali o espaço necessário para a aplicação de cerâmica. O indicado é que “sobre” pelo menos 1,5 mm em toda volta do coping. Contudo, preste atenção se o coping está totalmente encaixado ou aparafusado. Confira a cor junto com o paciente e solicite a aplicação de porcelana.

Eu, particularmente, gosto de fazer a prova da cerâmica na grande maioria das vezes. Em alguns casos unitários menos complexos, até solicito a prótese pronta já com glaze aplicado. Entretanto, no geral faço a prova da mordida. Realizo a checagem da oclusão com papel carbono para articulação 100 micrômetros dupla cor, batendo a cor azul sobre a cerâmica seca. A princípio, vejo a intercuspidação total. O famoso “morde”. Ajusto os pontos de grande contato que dão a sensação de que o dente está alto. Dessa forma, sempre presto atenção se a peça toda desceu até seu encaixe final, seja ela cimentada ou aparafusada.

Não esqueça de checar os movimentos laterais

Agora vem a parte mais importante do ajuste oclusal, que muitos acabam deixando passar. Em dentes posteriores faço a checagem dos movimentos de lateralidade. Nos anteriores é preciso checar as guias caninas e o movimento de protrusão. Mesmo nos dentes provisórios devemos fazer isso. Sabe aquele provisório que fica soltando e você acha que é culpa do cimento? Então, peça para o paciente morder e ranger, realizando movimentos de lateralidade. Você vai ficar surpreso com as marcações do carbono e conscientemente, o paciente não percebe esse contato prematuro.

Além disso, caso o paciente tenha hábitos parafuncionais, já seja esperto e inclua uma placa de mordida miorrelaxante rígida em resina acrílica no seu plano de tratamento.

Quando seguimos prestando atenção em todos os detalhes e minimizando erros, teremos menos trabalho nos ajustes finais e a nossa prótese encaixará como uma luva. Portanto, os melhores casos são aqueles que não necessitam de ajustes finais. No melhor dos mundos, a montagem de todos casos em articulador semi-ajustável vai diminuir muito a necessidade de ajustes. Apesar de sabermos que na realidade nem sempre é possível fazer isso para todos casos unitários. Para protocolos acho arriscado demais não utilizar o articulador semi-ajustável.

Enfim, a não observância desses fatores vai trazer problemas em curto ou em longo prazo. Soltura de próteses, perda óssea ao redor do implante com possível perda do elemento, fraturas de parafusos ou de partes das peças de cerâmica.

Se formos utilizar o fluxo digital com escaneamentos, por exemplo, a sequência é praticamente a mesma, porém, conseguimos pular a fase do coping utilizando peças fresadas em dissilicato de lítio. Seguir cuidando dos detalhes continua fundamental e mesmo que o paciente não sinta nada na hora da prova, não custa sermos cuidadosos e pedirmos para que faça os movimentos mandibulares necessários sobre um papel carbono. Enxergar é bem melhor que supor.

Por fim, é só explicar para seu paciente que ele precisa fazer as manutenções necessárias nas próteses nos nãos vindouros e correr para o abraço da longevidade.

Um Abraço.

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