Olha o que vem por aí: passo a passo do DSD

Durante o Dental Cremer Experience que acontece de 25 a 28 de outubro no Rio de Janeiro, o Dr. Raphael Monte Alto estará presente lançando em primeira mão o seu livro “Reabilitação Estética Anterior: o passo a passo da rotina clínica” desenvolvido em parceria com colaboradores.

Confira a seguir um capítulo do livro para ter uma prévia deste grande lançamento!

A Odontologia moderna é capaz de oferecer aos pacientes não só a saúde bucal como também o sorriso tão sonhado e desejado por eles. Com a busca crescente por tratamentos altamente estéticos e personalizados, o cirurgião-dentista deve estar cada vez mais capacitado para fazer uso de conceitos e técnicas que ampliem sua visão estética para o diagnóstico, de maneira que possa orientá-lo no processo de planejamento e na execução do tratamento odontológico.

Entendemos que o planejamento, inicialmente, deve ser orientado por critérios estéticos e, então, estes critérios guiarão a manutenção ou reconstrução das estruturas, da função e da biologia do sistema mastigatório.

Digital Smile Design

O conceito Digital Smile Design (DSD) surgiu com a necessidade da melhora na comunicação entre o técnico de prótese dentária e o cirurgião-dentista. Uma ferramenta foi desenvolvida com a proposta de possuir várias aplicações, onde o dentista responsável pelo tratamento, a equipe interdisciplinar, o técnico em prótese e o paciente, podem tomar decisões em conjunto, de uma forma mais previsível.

Desta maneira, a comunicação entre os envolvidos no tratamento, através da utilização de ferramentas digitais, criará um protocolo que deverá ser seguido e, com isso, a parte mais interessada no resultado do tratamento (paciente) passa a opinar, tornando-se coautor do seu próprio sorriso.

Imagem 01 – Esquema que ilustra a diferença do dentista que pensa de forma tradicional para o dentista que está atualizado com a Odontologia moderna.

O DSD auxilia o dentista a melhorar o vínculo entre a visão inicial do caso e o resultado final.

Com isso percebe-se que:

– Devemos aumentar nosso conhecimento odontológico para poder melhorar nossa visão inicial

dos planejamentos;

– Precisamos transferir essa visão (planejamento) para o modelo de trabalho;

– Devemos criar protocolos para guiar as etapas clínicas desde o planejamento inicial até o

resultado final.

Ser um bom clínico ou ceramista é diferente de ser um bom smile designer. Um bom smile designer apresenta diferentes habilidades e mentalidade. É um novo especialista que deve trabalhar em colaboração com o tratamento, equipe de planejamento, equipe clínica e equipe de tecnologia. Da mesma forma como um arquiteto se comporta ao realizar o planejamento de uma obra que será estudada pelo engenheiro e executada pelo construtor (Figura 02).

Imagem 02 – Podemos comparar a construção de um novo sorriso com a forma utilizada para planejar a construção de uma bela casa, onde o projeto deve ser iniciado pelo arquiteto (smile designer), e não pelo engenheiro (plano de tratamento) ou construtor (clínico).

Por que se tornar um designer de sorriso mais preparado é tão importante?

O projeto Smile Design é o ponto de partida de um moderno plano de tratamento interdisciplinar guiado pela face. Como dito anteriormente, a estética não é mais importante que a função e a biologia, mas definirá a visão inicial e permitirá a integração da biologia e da função no melhor resultado estético possível.

O processo de pensamento ao elaborar um plano de tratamento deve começar a partir da face, com base em um projeto de desenho de sorriso. Uma comparação desse projeto ideal com a situação real pré-operatória irá mostrar melhor as discrepâncias tanto para o cirurgião-dentista quanto para o paciente.

Quando o plano de tratamento está pronto, os procedimentos clínicos devem ser organizados na melhor sequência e tempo possível, geralmente a partir das questões básicas biológicas e funcionais para definir os estágios do resultado final estético desejado. O plano de tratamento guiado pela face é o conceito que confirma a importância de projetar antes de se planejar. É um conceito que foi introduzido, primeiramente, em conferências e artigos clássicos por grandes mentores como John Kois, Frank Spear e Vincent Kokich.

O processo de análise das tomadas de decisões quanto ao planejamento de um tratamento que será realizado se inicia no nível macro através de vídeos e fotografias, que permitam em um primeiro momento uma análise facial do paciente. Após a realização desta etapa, uma análise do sorriso passa a ser realizada de forma comparativa com os padrões estéticos difundidos pela literatura odontológica.

Nas figuras 03A-F podemos observar as seis fotos necessárias para a realização do planejamento DSD. A – Fotografia frontal com afastador; B – Fotografia frontal sorrindo; C – Fotografia 12 horas; D – Fotografia oclusal; E – Fotografia do perfil em repouso e F – Fotografia do perfil sorrindo.

O último item a ser avaliado nesta análise será o elemento dental. De uma maneira individual, o incisivo central superior passa a ser o “dente chave” para o planejamento de um novo sorriso. Este dente possui o papel de guiar as devidas proporções (altura/largura) nos demais elementos dentários, estabelecendo um resultado harmônico com o primeiro item que foi estudado, a face.

Desta forma, podemos evidenciar que os princípios do Smile Design exigem uma integração dos conceitos estéticos, que conciliem a estética facial com a composição dentofacial e a composição dental. A composição dentofacial inclui os lábios e o sorriso e os relaciona com a face. A composição dental se relaciona mais especificamente com o tamanho, a forma e a posição dos dentes e sua relação com o osso alveolar e os tecidos gengivais. Sendo assim, o Smile Design inclui uma avaliação e análise dos tecidos duros e moles da face e do sorriso.

O lado direito do cérebro

O cérebro de um smile designer deve ter o seu lado direito estimulado a todo o momento. A literatura descreve que, didaticamente, o cérebro do ser humano pode ser dividido em dois hemisférios. O lado esquerdo é responsável por atitudes racionais, estratégicas e lógicas. Já o lado direito é responsável pela emoção, pela criatividade e pelo senso artístico.

Desta forma, o dentista envolvido com o planejamento odontológico e responsável pelo novo design de um sorriso deve possuir a capacidade de criação e conhecimentos estratégicos relacionados ao emocional.

Para se obter resultados consistentes e previsíveis, o profissional deve definir o design do tratamento restaurador no estágio inicial, sendo importante que a reabilitação integre as necessidades e os desejos do paciente com as condições biológicas, estruturais e funcionais do mesmo.

O uso do DSD torna o diagnóstico mais efetivo e o plano de tratamento mais consistente. O esforço exigido para a sua execução compensa, pois, a sequência do tratamento se torna mais lógica, poupando tempo clínico e material odontológico e reduzindo, assim, o custo do tratamento.

 A Odontologia moderna tem como objetivo conciliar a alta demanda estética com as expectativas dos pacientes. Para alcançar isso, os dentistas que desejam abrir as portas do seu consultório para esta nova forma de planejamento interdisciplinar devem deixar para trás a odontologia tradicional e antiquada e absorver conceitos modernos, que serão responsáveis para o desenvolvimento de metas baseadas em critérios estéticos, funcionais, biológicos e, porque não dizer, “artísticos”.

Imagem 04 – Comparação esquemática entre o lado direito e esquerdo do cérebro.

O que é o DSD?

O Digital Smile Design (DSD) é uma ferramenta digital de planejamento estético que tem como objetivo facilitar a visualização na indicação de procedimentos odontológicos e aumentar a previsibilidade do tratamento. O DSD permite que o dentista e o técnico de laboratório de prótese transfiram a face para o modelo de gesso baseando-se na análise de proporções faciais e dentais, usando o protocolo fotográfico simplificado e o protocolo de vídeos (documentação dinâmica).

O conceito DSD visa auxiliar o dentista e o técnico em alguns aspectos básicos:

– Melhorar o planejamento estético e design do sorriso tornando o paciente um coautor do seu

sorriso e com o auxílio do visagismo na Odontologia;

– Facilitar a comunicação entre a equipe interdisciplinar;

– Melhorar a comunicação com o paciente, facilitando a aceitação do caso através da

Odontologia emocional ou motivacional;

– Ter auxílio da tecnologia para permitir procedimentos clínicos mais eficientes e previsíveis.

Razões para que o profissional utilize na sua clínica o conceito DSD

1 – Diagnóstico

O desenho digital do sorriso permite evidenciar fatores clínicos que poderiam passar despercebidos durante um exame clínico, na avaliação fotográfica ou nos modelos de estudo, além de desenhar linhas de referência e formas sobre fotografias intra e extraorais, seguindo uma sequência predeterminada, auxilia a ampliar a visão diagnóstica.

A análise das imagens na tela do computador seguindo um protocolo auxilia também a equipe a avaliar e entender as limitações e os fatores de risco tais como assimetrias, desarmonias e violação dos princípios estéticos, sendo possível assim escolher a técnica mais apropriada e fácil, uma vez que os problemas são identificados.

O processo de análise do sorriso começa no nível macro, examinando primeiramente a face do paciente, progredindo para uma avaliação do elemento dental individual e, finalmente, caminhando para as considerações de seleção de materiais.

Imagem 05 – Com o desenho das novas formas dentárias, se torna simples a observação da necessidade de se realizar uma plástica gengival.

2 – Plano de tratamento e comunicação

O objetivo principal do DSD é simplificar a comunicação, transferindo informações da face do paciente para a equipe e, então, para a restauração final. O DSD permite uma efetiva comunicação entre os membros da equipe interdisciplinar incluindo o técnico dental. Os membros da equipe podem identificar e ressaltar discrepâncias na morfologia dos tecidos duro e mole e usar as imagens na tela do computador para discutir as melhores possibilidades de resolução para o caso.

Cada membro da equipe pode acessar as informações quando necessário, através do uso de arquivos compartilhados pela Internet e modificando ou adicionando novos elementos durante o diagnóstico e as fases do tratamento. Esta comunicação é chamada de “comunicação assíncrona”, isto é, os profissionais envolvidos no tratamento podem interagir sem a necessidade de marcar encontros presenciais.

Através da técnica o cirurgião-dentista consegue transmitir as informações necessárias e ideais para o enceramento diagnóstico. A partir das informações bidimensionais do DSD, o técnico pode desenvolver um enceramento tridimensional mais eficaz, focando no desenvolvimento das características anatômicas através dos parâmetros fornecidos tais como planos de referência, linhas médias dental e facial, posição da borda incisal recomendada, dinâmica labial, posicionamentos dentários e plano oclusal anterior.

3 – Apresentação do caso

O DSD torna a apresentação do plano de tratamento mais eficaz e clara porque permite ao paciente ver e entender melhor os múltiplos fatores responsáveis pela sua condição dental. O clínico pode explicar a severidade do caso sobrepondo os problemas nas fotos, facilitando o entendimento do paciente, aumentando sua confiança e aceitação do plano proposto, e ajudando-o a entender todo o processo envolvido. Permite também que o profissional confeccione um desenho de acordo com a expectativa do paciente e apresente a ele previamente à confecção do enceramento diagnóstico.

4 – Controle dos procedimentos clínicos

O DSD permite uma avaliação precisa dos resultados obtidos durante cada fase do tratamento. A sequência do tratamento pode ser organizada em slides e cada membro da equipe pode acessar e checar o que foi feito até o momento.

Com uma régua digital, são criados desenhos e linhas de referência permitindo fazer comparações entre o “antes” e o “depois”, determinando onde houve concordância com o plano de tratamento original ou onde algum procedimento adicional é necessário para melhorar o resultado final. O técnico dental também obtém um feedback relacionado à forma dentária, disposição dos elementos e cor, e assim os refinamentos finais podem ser feitos.

Imagem 07 A-D – A demonstração do plano de tratamento ao paciente deve ser feita em uma televisão para que ele compreenda todos os detalhes do planejamento realizado (A). DSD ajudando no planejamento da mudança das formas dentárias e permitindo uma avaliação do resultado final do tratamento, se está de acordo com o que foi planejado inicialmente (B-D).

O passo a passo do DSD

O fluxo de trabalho do DSD se inicia com um protocolo de fotos ou vídeos do paciente onde serão desenhadas as linhas de referência ampliando a visão diagnóstica tanto da estética quanto da função, permitindo um planejamento reabilitador a partir de uma perspectiva facial.

Este protocolo pode ser realizado tanto com câmeras fotográficas quanto com smartphones, facilitando a rotina clínica diária. As fotos realizadas com câmeras fotográficas produzem imagens de melhor qualidade; no entanto, o protocolo de vídeos realizado com smartphones nos permite selecionar o melhor momento e realizar uma tomada deste instante gerando uma foto (print). Cada segundo de vídeo equivale a 30 frames (30 quadros), o que amplia as possibilidades de capturar uma imagem ideal. O segredo para se gravar um vídeo de qualidade com smartphones está na iluminação adequada, que deverá vir de painéis de LED (Figura 08A).

Para o protocolo de fotos com câmeras devemos realizar seis tomadas fotográficas nas posições descritas as seguir:

OBS: Nas fotos frontais, indicamos a utilização de uma caixa de luvas atrás da cabeça do paciente para promover estabilidade da sua posição, e um batente de silicone entre as arcadas para afastar os dentes superiores dos inferiores, evitando assim a sobreposição das arcadas (Figuras 08 B, C).

Já no protocolo de vídeo com smartphones ou filmadoras, devemos nos certificar de que o zoom está ajustado à face e o foco ajustado na boca. São realizados então vídeos de ângulos específicos para desenvolvermos a moldura do sorriso guiada pela face. O smartphone deve estar nivelado com os olhos do paciente, levemente acima da boca, criando uma curva natural do sorriso.

Autor: Dr. Raphael Monte Alto Napoleão

Especialista em Dentística pela Universidade Federal Fluminense. Especialista em Prótese Dentária  pela ABO-Niterói. Especialista em Implantodontia pela Universidade Federal Fluminense. Mestre em Clínica Odontologia pela Universidade Federal Fluminense. Doutor em Dentística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pós-Doutor em Odontologia pela Universidade Federal do Amazonas. Professor convidado do Instituto IPPO – Balneário de Camboriú. Professor do Curso de Especialização em Implantodontia na Universidade Federal Fluminense. Professor Adjunto da disciplina de Clínica Integrada na Universidade Federal Fluminense. Conferencista nacional e internacional.

 

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