O papel do dentista na UTI: saiba a importância da atuação que é desvalorizada

A Odontologia Hospitalar é uma especialidade odontológica voltada à prevenção, diagnóstico e tratamento de alterações bucais em ambiente hospitalar, como o objetivo de promover a saúde oral e sistêmica.

O especialista atende pacientes internados, tanto em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) como em enfermaria clínica.

Em relação às UTIs, esse ambiente é voltado ao cuidado de pacientes em estado crítico, cuja condição exige monitoramento contínuo e intervenções complexas.

Neste cenário, o dentista possui um papel fundamental na prevenção de infecções sistêmicas por meio da manutenção da saúde bucal, impactando na redução de custos com o paciente e na qualidade do cuidado prestado pela equipe multidisciplinar hospitalar.

Por isso, vamos abordar sobre essa especialidade odontológica, com ênfase na atuação do dentista em UTI, destacando a importância na prevenção e controle de infecções.

Já ouviu falar em “Odontologia Hospitalar”?

Segundo o CRO/SP:

“A Odontologia Hospitalar consiste em um conjunto de ações preventivas, diagnósticas e terapêuticas de doenças orofaciais, manifestações bucais de origem sistêmicas ou de sequelas de seus respectivos tratamentos, em pacientes em ambiente hospitalar (internados ou não) ou em assistência domiciliar, inseridas no contexto de atuação da equipe multiprofissional, visando a manutenção da saúde bucal e a melhoria da qualidade de vida”

Qual a legislação que regulamenta a Odontologia Hospitalar?

No Brasil, a atuação do cirurgião-dentista em ambiente hospitalar é respaldada pelo seguinte histórico ao decorres dos anos:

  • 2008: O Projeto de Lei n° 2776 propõe estabelecer a obrigatoriedade da presença de profissionais de Odontologia na equipe multiprofissional de UTIs em hospitais públicos e privados;
  • 2011: O Projeto de Lei n° 363 também propões estabelecer a obrigatoriedade da presença de profissionais de Odontologia no ambiente hospitalar para cuidar da saúde bucal do paciente internado;
  • 2015: Resolução CFO-162/2015, regulamentou a Habilitação em Odontologia Hospitalar;
  • 2019: O projeto de lei 883/2019 propõe tornar obrigatória a presença de cirurgiões-dentistas habilitados nas UTIs e enfermarias de hospitais públicos e privados;
  • 2024: Resolução CFO-262/2024: Reconhece oficialmente a Odontologia Hospitalar como especialidade;

Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), estabelece diretrizes que reforçam protocolos de controle de infecção e segurança do paciente, dentro dos quais podemos reforçar a importância da higiene oral.

O que é Odontologia Hospitalar?

Segundo a RESOLUÇÃO CFO-SEC-262, de 25 de janeiro de 2024, que reconhece a especialidade

“A Odontologia Hospitalar compreende um conjunto de ações preventivas, diagnósticas e terapêuticas de doenças orofaciais, manifestações bucais de origem sistêmicas ou de sequelas de seus respectivos tratamentos, em pacientes em ambiente hospitalar, internados ou não, ou em assistência domiciliar, inseridas no contexto de atuação da equipe multiprofissional, visando à manutenção da saúde bucal e à melhoria da qualidade de vida.”*

Além disso, a resolução estabelece que:

“Art. 2º. Será considerado especialista em Odontologia Hospitalar, com direito ao registro nos Conselhos Regionais de Odontologia, o Cirurgião-Dentista que atender aos critérios dispostos nesta Resolução e na Consolidação das Normas para procedimentos nos Conselhos de Odontologia”*

*Fonte: RESOLUÇÃO CFO-SEC-262, de 25 de janeiro de 2024

Profissional de odontologia na UTI atuando além da higiene bucal, com destaque para controle de biofilme, diagnóstico de lesões orais, manejo de focos infecciosos e atendimento de urgências no leito.

Qual é a área de atuação do especialista em Odontologia Hospitalar?

Ainda sobre a resolução, a artigo terceiro estabelece as áreas de competência do Cirurgião-Dentista especialista em Odontologia Hospitalar:

“I – a atuação em equipes multiprofissionais, interdisciplinares e transdisciplinares, com objetivo de promoção da saúde baseada em evidências científicas;
II – a prestação de assistência odontológica aos pacientes em regime de internação hospitalar e ambulatorial, urgências e emergências a pacientes de alta complexidade em situações críticas que necessitem suporte básico de vida;
III – a participação na dinâmica de trabalho institucional, reconhecendo-se como agente desse processo;
IV – a aplicação do conhecimento adquirido na clínica propedêutica, no diagnóstico, nas indicações e no uso de evidências científicas na atenção em Odontologia Hospitalar;
V – a elaboração de projetos de natureza científica e técnica, bem como a realização de pesquisas destinadas a fomentar o uso de novas tecnologias, métodos e fármacos no âmbito da Odontologia Hospitalar; e
VI – a ação na integração de programas de promoção, manutenção, prevenção, proteção e recuperação da saúde do paciente em ambiente hospitalar.”*

*Fonte: RESOLUÇÃO CFO-SEC-262, de 25 de janeiro de 2024

Como se especializar em Odontologia Hospitalar?

Conforme consta na resolução:

“§3º. Poderá o Conselho Federal de Odontologia baixar em exigência os pedidos de inscrição como especialista, a fim de verificar a veracidade e fidedignidade das informações prestadas, bem como da documentação apresentada.
Art. 6º. Os casos não previstos nesta Resolução serão decididos pela Diretoria do Conselho Federal de Odontologia.” *

*Fonte: RESOLUÇÃO CFO-SEC-262, de 25 de janeiro de 2024 

Quais são os desafios da especialidade?

Apesar das evidências científicas e respaldo normativo, a presença do dentista em UTIs ainda não é universal no Brasil, devido à falta de regulamentação obrigatória plenamente implementada.

É importante lembrar que alguns estados e municípios, devido à legislação própria, possuem asseguram a obrigatoriedade de dentistas em hospitais.

Papel do dentista na UTI

A presença do dentista no ambiente hospitalar não se restringe somente ao tratamento odontológico, sendo que o profissional também realiza:

  • Diagnóstico da condição de saúde bucal no momento da internação;
  • Criação de protocolos de higiene oral;
  • Avaliação de risco infeccioso de origem odontogênica;
  • Manejo bucal em pacientes críticos;
  • Treinamento da equipe de enfermagem quanto à higiene oral segura;
  • Elaboração de procedimentos operacionais;
  • Monitoramento clínico de lesões bucais associadas à internação prolongada;
  • Confecção de placas interoclusais para a proteção de dentes e mucosas.

É importante lembrar que o paciente internado na UTI muitas vezes está inconsciente, sedado ou intubado, contribuindo para redução do fluxo salivar, alteração do pH bucal e maior proliferação de microorganismos na cavidade oral.

Saiba mais sobre a atuação do dentista em UTIs:

1. Controle de biofilme oral e prevenção de infecções

  • Avaliação de fatores de risco orais;
  • Remoção mecânica de biofilme;
  • Identificação de dispositivos orais que acumulam agentes patógenos;
  • Presença de doença periodontal;
  • Indicação de antisséptico bucal.

2. Diagnóstico de lesões de mucosa e focos infecciosos

  • Realização de citologia e biópsias;
  • Candidíase oral;
  • Úlceras traumáticas;
  • Lesões por pressão relacionadas à dispositivos, como por exemplo Prótese Total;
  • Lesões oportunistas em imunossuprimidos;
  • Raiz residual;
  • Lesões de cárie;
  • Abcessos.

3. Manejo de traumas no leito hospitalar

Quedas, acidentes prévios, intubação difícil e uso prolongado de dispositivos podem gerar:

  • Fraturas dentárias;
  • Luxações;
  • Lesões de tecidos moles;
  • Dor aguda de origem odontogênica.

Por isso, podemos concluir que a atuação do dentista na Unidade de Terapia Intensiva é técnica, preventiva e intervencionista.

Além disso, o profissional diferencia lesões causadas pela internação de manifestações sistêmicas, e indica exames complementares quando necessário, impactando na saúde oral e sistêmica do paciente internado.

Odontologia Hospitalar e controle de infecções

De acordo Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), a atuação do cirurgião-dentista em ambiente hospitalar reduz a possibilidade de focos infecciosos e agravos sistêmicos, além da redução de mortalidade em UTIs.

A presença do dentista na UTI contribui para:

1. Menor incidência de doenças sistêmicas

  • Prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV), pois o biofilme oral apresenta microorganismos que podem ser aspirados para o trato respiratório;
  • Diminuição da bacteremia de origem odontogênica;
  • Prevenção de endocardite infecciosa em pacientes de risco;
  • Redução de complicações em pacientes que possuem doenças sistêmicas.

A cavidade oral, quando não monitorada, pode atuar como foco primário ou secundário de infecções sistêmicas, principalmente em imunossuprimidos, como por exemplo pacientes oncológicos ou transplantados.

2. Redução de custos hospitalares

As Infecções hospitalares prolongam internações e aumentam os custos. A redução de infecções orais e sistêmicas, a especialidade contribui para:

  • Menor tempo de UTI;
  • Redução de prescrição de medicamentos de alto custo;
  • Diminui taxas de reinternação;
  • Otimiza leitos hospitalares.

3. Otimiza os resultados da equipe multidisciplinar de saúde

A equipe de profissionais de saúde que atuam em UTI é multidisciplinar.

O dentista trabalha em conjunto com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas, contribuindo para:

Capacitação profissional;

  • Definir técnicas seguras para pacientes intubados;
  • Avaliar eficácia dos protocolos e atualiza condutas de manejo;
  • Identificar foco infeccioso para evitar doença sistêmica;
  • Realizar tratamento odontológico antes de procedimentos invasivos;
  • Complementar a intervenção de prevenção de infecções respiratórias.

Portanto, a atuação do dentista é fundamental para promover a saúde tal e sistêmica, além de impactar na segurança e recuperação do paciente.

Para saber mais sobre o papel do dentista especialista em Odontologia Hospitalar, leia o manual elaborado pelo Conselho Regional de Odontologia do Mato Grosso (CROMT):

https://website.cfo.org.br/wp-content/uploads/2020/07/manual-odontologia-hospitalar.pdf

Conclusão

A atuação do dentista em ambiente hospitalar, com destaque para as Unidades de Tratamento Intensivo, é fundamental para o controle de biofilme oral, diagnóstico precoce de lesões, prevenção de infecções sistêmicas e manejo clínico, contribuindo para o sucesso do tratamento realizado pela equipe multidisciplinar, bem como na qualidade de vida e na recuperação do paciente.

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REFERÊNCIAS

https://blog.dentalspeed.com/odontologia-hospitalar/

https://crosp.org.br/noticia/odontologia-hospitalar-se-consolida-como-medida-fundamental-no-tratamento-de-pacientes-em-utis/

https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/0/Protocolo+de+Atendimento+Odontológico+em+UTI.pdf/bd23723e-f92e-2530-e571-6e8abdbebdf9?t=1659358240295

https://fmrp.usp.br/pb/arquivos/10542

https://website.cfo.org.br/wp-content/uploads/2020/07/manual-odontologia-hospitalar.pdf

https://sistemas.cfo.org.br/visualizar/atos/RESOLUÇÃO/SEC/2024/262

https://www.ident.com.br/ia/pergunta/11905-odontologia-hospitalar-para-pacientes-em-uti

https://www.ident.com.br/ia/pergunta/331073-a-importancia-do-cirurgiao-dentista-na-uti

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