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Profilaxia em tempos de pandemia, como realizar?

Profilaxia em tempos de pandemia, como realizar?
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Devido ao atual cenário, a biossegurança no consultório teve sua atenção redobrada. Surgiram novos protocolos de biossegurança que devem ser seguidos tanto pelo profissional quanto pela equipe. Muitos procedimentos da clínica necessitam de uma profilaxia prévia, certo? Nesse artigo eu vou falar um pouco mais sobre como proceder nesses casos e quais pontos merecem sua atenção!

Relembrando as recomendações para um atendimento seguro

Certamente você já decorou todos os cuidados e recomendações pautados por órgãos reguladores para a prevenção contra o COVID-19. Mas não custa relembrar:

  • Avalie previamente o paciente via telefone ou por mensagem, questionário para identificar qual a queixa odontológica). Com isso, é possível agilizar o tratamento;
  • A temperatura do paciente deve ser checada na entrada do consultório;
  • Para o atendimento, o profissional deve usar EPIs (máscara N95, gorro, óculos, protetor facial, avental impermeável descartável, luvas).

E a profilaxia? Como fazer nesse período?

Caso necessite fazer a profilaxia, opte pelo uso da caneta de alta rotação sem spray de água, preferindo a caneta de baixa rotação sem água. Além disso, é indicada a utilização de instrumentos manuais e não utilizar a seringa tríplice. Além disso, substitua a lavagem com seringa com soro fisiológico.

Outra indicação importante é não utilizar a cuspideira, aspirando a cavidade oral do paciente com mais frequência. Sem dúvidas, o isolamento absoluto é um dos processos que garantirão mais segurança durante a profilaxia.

Opte por procedimentos que não gerem aerossóis, como ART (tratamento restaurador atraumático) e restaurações provisórias. Além disso tudo, é muito importante estar atento as atualizações nos protocolos de acordo com as normativas do CFO e CRO de seu estado.

Controle químico e mecânico na profilaxia

É inegável a importância do controle químico e mecânico da placa bacteriana no processo de desenvolvimento das doenças cárie e periodontal. A placa se forma pela aderência das bactérias bucais à película adquirida, que é uma fina camada, formada pela adsorção de proteínas específicas da saliva na superfície do esmalte.

Essas bactérias, principalmente Streptococcus mutans e Lactobacilos, metabolizam os substratos de carboidratos produzindo ácidos orgânicos que, em contato com a superfície dental, são capazes de promover a dissolução da estrutura inorgânica do esmalte. Como resultado, perdendo minerais e formando a cárie.

O desenvolvimento de gengivites também está relacionado com a formação de placa bacteriana, sendo necessário seu controle e prevenção para a manutenção da saúde da cavidade bucal. Neste contexto, incluem-se procedimentos mecânicos de higienização, químicos e de controle da dieta. Logo, a interferência neste ciclo de formação bacteriana é de suma importância para uma correta saúde bucal.

 O controle químico

Os enxaguatórios bucais têm sido utilizados no controle da placa bacteriana como coadjuvantes aos procedimentos de forma mecânica. Em geral, os antissépticos bucais não apresentam composição complexa. O diferencial nesse tipo de produto é a sua eficácia antimicrobiana, levando em consideração os compostos ativos presentes associados ou não ao flúor.

Os antimicrobianos dos antissépticos bucais destroem a parede celular, inibindo a atividade enzimática da célula microbiana. Dessa forma, evitam a agregação bacteriana e diminuem a multiplicação microbiana.

Entre os compostos ativos mais utilizados em antissépticos bucais temos a clorexidina, cloreto de cetilpiridíneo e triclosan, além de óleos essenciais. A clorexidina, um dos biocidas mais utilizados em formulações antissépticas, é uma bisbiguanida catiônica, que age principalmente sobre bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. Além disso, a clorexidina age sobre leveduras e dermatófitos.

Já o cloreto de cetilpiridínio, sobre bactérias Gram-positivas e leveduras. Entre os compostos fenólicos, o triclosan tem sido o mais utilizado em formulações para controle da placa bacteriana, apresentando ação principalmente contra bactérias Gram positivas; no entanto, este ativo tem sido utilizado em associação a copolímeros, que aumentam seu espectro de ação sobre bactérias gram-negativas e leveduras.

O controle mecânico na profilaxia

A escovação e o uso do fio dental constituem métodos de remoção mecânica da placa dentária, cujas técnicas podem ser executadas pelo próprio paciente. Porém, para garantirmos que a placa não se acumule em áreas de difícil acesso, por exemplo, é necessário sua remoção mecânica realizada pelo dentista e com certa periodicidade.

A profilaxia pode ser realizada com taça de borracha ou escova Robinson, acionada por um micromotor e uma substância de certa abrasividade como dentifrícios ou pastas preparadas para esta finalidade, tipo pedra pomes. Um outro método de profilaxia profissional consiste na utilização do jato de bicarbonato.

Esse procedimento acaba sendo mais vantajoso quando comparado à profilaxia com taça de borracha ou escova de Robinson, pois requer menor tempo de trabalho. Por não gerar calor, acaba sendo menos desconfortável para o paciente e também pode ser um grande aliado para pacientes ortodônticos, atingindo áreas não alcançadas pela escovação. Porém, devido a sua pressão e dependendo da localização da placa pode levar a um leve sangramento da gengiva, mas essa injuria não é considerada clinicamente significativa.

Fatores de atenção

O benefício do controle da placa seja ele químico, mecânico ou conjugado é indiscutível! Porém, devemos nos atentar ao fator de adesividade nos procedimentos de restaurações da estrutura dental após a etapa de profilaxia. Alguns desses agentes podem interferir na etapa adesiva, assim como outros podem ser incluídos nos processos pré-operatórios para o protocolo de adesão.

A cavidade deve ser limpa com eficácia, portanto, o uso de métodos de profilaxia mecânica que utilizam abrasão por ar de óxido de alumínio, pasta de pedra-pomes ou clorexidina podem ser considerados antes da integração adesiva da restauração, criando micro retenções, ajudando na adesão. Esses produtos mostram se eficazes na remoção de resíduos, resultando em melhor molhabilidade da dentina e, consequentemente, facilitando a infiltração do sistema adesivo após ataque ácido.

Por outro lado, a aplicação de jato de bicarbonato de sódio deve ser evitado como método de profilaxia antes dos procedimentos adesivos, por deixar resíduos de precipitado na superfície da dentina e alterações no pH superficial. Isso, provavelmente interferira na ação do ácido fosfórico, afetando a interação do sistema adesivo e dentina. Também existem estudos que relatam que exista um desgaste na superfície do esmalte causado pelo jato de bicarbonato, porém é totalmente reparado pela ação remineralizadora da saliva.

Assim como, o uso de peróxido de hidrogênio também deve ser evitado, devido a sua degradação resultar na liberação de água e radicais livres do oxigênio, reduzindo a resistência de união do compósito à base de resina à dentina.

Uma boa saúde bucal só é garantida quando conseguimos conscientizar e capacitar nosso paciente para um correto controle de placa em casa e salientarmos a importância da ação profilática periódica com o profissional.

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