Qual é a relação da DTM com a Ortodontia?

Será que existe relação entre as disfunções temporomandibulares (DTM) e o tratamento ortodôntico?

Primeiramente, é preciso compreender que entre a classe odontológica e médica tem um movimento de indicação e encaminhamento de pacientes ao Ortodontista. Seja para tratamentos de processos de dor e/ou disfunção da articulação temporomandibular (ATM), ou para o tratamento da musculatura mastigatória.

Entretanto, o Ortodontista pode se questionar de deve ou não indicar ao paciente um tratamento ortodôntico com o objetivo de melhorar os sinais e sintomas da DTM.

Existe alguma relação da DTM com a má oclusão?

É preciso ter muito cuidado ao afirmar a associação entre a DTM e a má oclusão, principalmente se tais afirmações apoiam-se em achados de artigos com desenhos de estudo do tipo transversal, já que esse tipo de pesquisa não permite afirmar corretamente a relação de causa e efeito.

Além disso, há um problema maior nesta temática que se permeia pela classe odontológica: a possível melhora dos sinais e sintomas posteriormente ao início do tratamento ortodôntico, o que é chamado de “efeito tratamento ortodôntico”.

Em um estudo publicado por Caldas et al. (2013), foram entrevistados 3 grupos de profissionais: cirurgiões-dentistas clínicos gerais, especialistas em Ortodontia e especialistas em DTM, sobre a inter-relação entre Ortodontia e DTM.

Os resultados mostraram que a maioria dos profissionais (55%) afirmam acreditar que tratamento ortodôntico pode prevenir DTM. 62% dos entrevistados associam o tratamento ortodôntico à causa da DTM e 64% dos clínicos gerais acreditam que se pode tratar DTM por meio de Ortodontia.

Assim, fica claro que entre os profissionais da Odontologia, mesmo entre os especialistas, ainda há dúvidas sobre a possível inter-relação entre Ortodontia e DTM.

O que causa tanta dúvida?

O que acontece é que a instalação do aparelho ortodôntico inicia um “novo “ambiente” que faz com que o paciente simplesmente não evolua com os sinais e sintomas que apresentava antes. A cada mês a movimentação dos elementos dentários parece levar o paciente a abandonar os hábitos que apresentava.

Mas vale lembrar que há diversos métodos para detecção da DTM e deve-se considerar os vários fatores etiológicos que são responsáveis por essa patologia.

Desde 2009 e novamente confirmado em estudos mais recentes, não se pode afirmar que existam associações significativas entre Ortodontia e DTM. Isto é, os indivíduos que se submeterem ao tratamento ortodôntico não apresentarão maior ou menor risco de desenvolver sinais e sintomas de dor e/ou disfunção da ATM ou da musculatura mastigatória. A não ser que isso aconteça por acaso.

Afirmações como essa são corroboradas por uma pesquisa que acompanhou 1081 crianças até a fase adulta a fim de averiguar e talvez até predizer o curso da patologia temporomandibular. Os resultados evidenciaram que os únicos fatores que foram considerados como preditivos para a presença de DTM na idade adulta foram o gênero feminino e a presença de sinais e sintomas de DTM na adolescência.

Esse dado nos mostra como devemos ter especial atenção nos sinais e sintomas presentes já na fase da adolescência, para que esses não perdurem ou não piorem até a fase adulta de nossos pacientes.

O que fazer quando receber um paciente com DTM?

Portanto, quando o paciente ou outro profissional indicar e encaminhar até você um paciente com DTM para tratamento ortodôntico, lembre-se de evidenciar todos os pontos positivos e todos os benefícios que o tratamento pode proporcionar.

Contudo, tratar as DTMs não se encaixa nessas indicações. Há autores que sugerem que no início da terapia ortodôntica, o profissional execute procedimentos de detecção de sinais e sintomas de DTM, para possibilitar o tratamento de eventuais sintomas dolorosos e disfuncionais previamente ao planejamento ortodôntico.

Leia mais: DTM e Dores Orofaciais, o que o dentista precisa saber?

Referências:

Caldas et al. Relação entre DTM e tratamento ortodôntico na visão de clínicos gerais, especialistas em Ortodontia e especialistas em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial. Rev. Clín. Ortod. Dent. Press, v. 11, n. 6, p. 20-26, 2013.

Conti, P. C. R. Ortodontia e disfunções temporomandibulares: o estado da arte. R Dental Press Ortodon Ortop Facial 12 Maringá, v. 14, n. 6, p. 12-13, 2009.

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