A biossegurança na Odontologia é fundamental na prevenção de infecções e contaminações cruzadas.
Por isso, é a esterilização dos artigos odontológicos é de extrema importância, tanto para a saúde do paciente, como para a saúde do profissional.
Para promover a qualidade da esterilização na Odontologia, é importante saber como planejar a sala de esterilização odontológica, além de dominar o fluxo de esterilização.
Neste artigo, vamos abordar as principais normas da vigilância sanitária sobre a esterilização odontológica, planejamento da sala de esterilização, como planejar o fluxo e dicas para esterilizar os materiais de forma adequada.
Legislação para a sala de esterilização odontológica
A legislação sobre esterilização na Odontologia, incluindo o planejamento da sala, fluxo e controle de esterilização é regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), além das diretrizes do Conselho Federal de Odontologia (CFO) e Conselho Regional de Odontologia (CRO).
Quais as principais normas de esterilização na Odontologia?
A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) é uma norma regulamentar criada pela diretoria da ANVISA para estabelecer regras, diretrizes e procedimentos obrigatórios sobre produtos, serviços e ambientes sujeitos à vigilância sanitária,
Sobre as normas de esterilização na Odontologia, é fundamental que o dentista conheça 3 RDCs:
- RDC nº 50/2002: requisitos físicos e estruturais de ambientes de saúde, descrevendo também sobre clínicas e consultórios odontológicos;
- RDC nº 15/2012: boas práticas para o processamento de produtos para saúde, incluindo a esterilização odontológica;
- RDC nº 63/2011: boas práticas de funcionamento dos serviços de saúde, abordando sobre gestão de riscos, indicadores, protocolos e segurança do paciente.
É importante lembrar que o cumprimento dessas normas não é opcional, pois são os critérios mínimos para garantir a segurança do paciente, do dentista e da equipe odontológica, além de ser referência da adequação das normas durante fiscalizações sanitárias.
Saiba mais sobre cada RDC:
I. RDC nº 50/2002
Regula projeto, construção e adequação física de estabelecimentos de saúde:
- Hospitais;
- Centros cirúrgicos;
- Unidades básicas de saúde (UBS);
- Clínicas de saúde;
- Estrutura do Centro de Material e Esterilização (CME).
Exemplos de aplicação da norma:
- Dimensionamento de ambientes;
- Fluxos físico-funcionais (limpo x sujo);
- Materiais de pisos, paredes e tetos;
- Ventilação, iluminação e instalações prediais;
- Barreiras físicas e layout do CME.
É exigida nas seguintes situações:
- Aprovação de projeto;
- Alvará inicial;
- Reformas.
II. RDC nº 15/2012
Regula as boas práticas para o processamento de produtos para saúde, definido regras operacionais e de qualidade, incluindo:
- Limpeza;
- Desinfecção;
- Esterilização;
- Armazenamento;
- Transporte;
- Rastreabilidade.
Exemplos de aplicação da norma:
- Classificação de CME;
- Validação e monitoramento de processos;
- Qualificação de equipamentos;
- Capacitação da equipe;
- Registros e rastreabilidade dos materiais;
- Responsabilidades técnicas.
É exigida em inspeções de rotina e fiscalizações, como:
- POPs (procedimentos operacionais padrão);
- Registros de limpeza, esterilização e monitoramento;
- Rastreabilidade dos produtos;
- Qualificação de equipamentos;
- Treinamento da equipe;
- Responsável técnico.
III. RDC nº 63/2011
Regula os requisitos de boas práticas de funcionamento para todos os serviços de saúde, públicos ou privados, como por exemplo:
- Organização do serviço de saúde;
- Gestão da qualidade e segurança do paciente;
- Gestão de riscos sanitários;
- Padronização de processos.
Exemplos de aplicação da norma:
- Gestão e organização do estabelecimento;
- Responsabilidade técnica;
- Manuais de normas e rotinas;
- Segurança do paciente;
- Gestão de riscos;
- Capacitação da equipe;
- Gerenciamento de resíduos.
É exigida em:
- Início do funcionamento do serviço de saúde;
- Inspeções sanitárias;
- Auditorias sanitárias;
- Investigações de eventos adversos.
Para facilitar a compreensão em relação à esterilização na Odontologia, podemos resumir como:
- RDC 15/2012: regulamenta o processamento materiais;
- RDC 63/2011: regulamenta a gestão e segurança dos serviços;
- RDC 50/2022: regulamenta a estrutura física;
Quais as recomendações do CFO e CROs sobre esterilização em Odontologia?
- Existência de um fluxo definido;
- Uso correto da autoclave;
- Comprovação do processo de esterilização;
- Presença de registros e controles de esterilização;
- Condições de armazenamento dos materiais estéreis;
- Capacitação da equipe envolvida no processamento.
O CFO reuniu todas as orientações sobre a esterilização em um manual completo.

Planejamento da sala de esterilização odontológica
A esterilização na Odontologia é um processo que também envolve limpeza e desinfecção.
Entenda mais esses conceitos:
1. Limpeza
- Processo inicial;
- Remoção de sujidades visíveis (sangue, saliva, restos orgânicos e inorgânicos);
- Geralmente realizada com água, detergente e ação mecânica (escovação ou ultrassom);
- Não elimina microrganismos, mas reduz significativamente sua quantidade;
- Indispensável antes da desinfecção ou esterilização.
2. Desinfecção
- Etapa responsável pela redução da carga microbiana;
- Utiliza agentes químicos desinfetantes;
- Indicada para superfícies, equipamentos e materiais que não podem ser esterilizados.
3. Esterilização
- Eliminação total de carga microbiana, incluindo esporos resistentes;
- Realizada por meio de autoclave odontológica.
Compreender esses conceitos é fundamental para planejar corretamente a sala de esterilização minimizando riscos e otimizando o tempo clínico.
Qual a finalidade da sala de esterilização odontológica?
- Limpeza;
- Desinfecção;
- Secagem;
- Embalagem;
- Esterilização;
- Armazenamento de materiais esterilizados.
Como deve ser a sala de esterilização odontológica?
As recomendações da estrutura variam de acordo com o perfil do estabelecimento de saúde:
1. Consultório Odontológico:
- É considerado consultório até 2 cadeiras odontológicas;
- Alguns municípios aceitam área integrada, desde que haja separação funcional clara;
- As dimensões variam de acordo com as normas de cada município;
2. Clínica Odontológica
- É considerado clínica a partir de 3 cadeiras odontológicas;
- Não é permitido área integrada;
- As dimensões variam de acordo com as normas de cada município.
Fluxo obrigatório para ambos os cenários:
- Área suja: recepção do material contaminado e pia com água corrente;
- Área limpa: secagem e embalagem;
- Área estéril: autoclave e armazenamento do material esterilizado.

Estrutura da sala de esterilização para consultórios e clínicas odontológicas (exigência mínima)
- Revestimento de paredes, pisos e tetos devem ser resistentes à lavagem e ao uso de desinfetantes;
- Os revestimentos não podem apresentar ranhuras ou perfis estruturais aparentes;
- Pia exclusiva para lavagem de instrumentos;
- Torneira sem contato manual;
- Bancada lisa, impermeável e contínua;
- Autoclave (obrigatória);
- Seladora térmica;
- Armários fechados para material estéril;
- Lixeira com pedal.
É importante lembrar que não é permitido cruzamento de materiais ou profissionais com instrumentos contaminados e esterilizados ao mesmo tempo.

Como planejar a sala de esterilização odontológica?
Para planejar a sala, é fundamental compreender o volume de atendimento da clínica, o número de cadeiras odontológicas e a quantidade média de instrumentais utilizados por período.
Esses fatores impactam diretamente no tamanho do espaço, na escolha dos equipamentos e na definição do fluxo de esterilização.
Conheça as principais recomendações:
1. Equipamentos essenciais
- Autoclave;
- Seladora térmica;
- Cuba Ultrassônica.
2. Divisão das áreas
- Área para recebimento;
- Área para descontaminação;
- Área para lavagem e secagem;
- Área para empacotamento;
- Área para esterilização;
- Área para armazenamento;
- Bancadas para materiais contaminados e limpos.
3. Fluxo físico
- Ter um manual de rotinas;
- Fluxo sempre do sujo para o limpo;
- Sem cruzamento de materiais;
- O instrumental entra por uma porta/área e passa por todas as etapas;
- Utilizar apenas papel descartável para secagem e/ou ar comprimido para evitar manchas e corrosão;
- Embalar os instrumentais adequadamente;
- Armazenar em local seco e protegido.
Fluxo da sala de esterilização odontológica
O fluxo de esterilização odontológica envolve várias etapas críticas para garantir a biossegurança e a eficácia do processo.
É fundamental que o fluxo seja unidirecional, garantindo que os instrumentais sigam sempre em uma única direção: do contaminado para o estéril, sem qualquer cruzamento.
O fluxo de esterilização na Odontologia é dividido em três áreas principais
- Área suja (expurgo): processamento inicial e pré-limpeza;
- Área limpa (preparo e embalagem): inspeção e acondicionamento;
- Área estéril: esterilização em autoclave e armazenamento.
1. Área suja
- Também chamada de expurgo;
- O transporte de material contaminado da sala de atendimento deve ser realizado utilizando recipientes com tampa, para impedir a contaminação cruzada;
- Local onde os instrumentais recém-utilizados chegam após o atendimento clínico;
- Área indicada para a remoção inicial de resíduos orgânicos e a redução da carga microbiana.
As principais atividades dessa área incluem:
- Recebimento dos instrumentais contaminados;
- Limpeza manual ou automatizada;
- Uso de detergentes enzimáticos;
- Enxágue e secagem inicial.
Deve conter uma pia exclusiva e bancada adequada, para reduzir os riscos de contaminação cruzada.
2. Área Limpa
Após a limpeza, os instrumentais seguem para a área limpa. Nessa área ocorre a inspeção, preparo dos materiais e embalagem para a esterilização.
Essa etapa é de extrema importância para o sucesso da esterilização.
3. Área Estéril
Contém a autoclave e o espaço destinado ao armazenamento dos materiais já esterilizados.
- Ocorrem os seguintes processos:
- Esterilização na autoclave odontológica;
- Controle da qualidade da esterilização;
- Liberação dos materiais após validação;
- Armazenamento em armários fechados e identificados.
É importante que o ambiente seja protegido de umidade, luz e calor.
O acesso à área deve ser controlado, garantindo a manutenção do material estéril até o momento do uso clínico.
Esterilização odontológica
A esterilização na autoclave odontológica é indicada para eliminar os microrganismos, prevenindo a contaminação cruzada, promovendo a saúde do paciente e do profissional.
Para garantir a biossegurança e o sucesso do processo de esterilização, é importante o dentista realizar os seguintes passos:
1. Uso de EPIs
Uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) durante todas as etapas do processo de limpeza, desinfecção e esterilização::
- Luva;
- Máscara;
- Avental;
- Gorro;
- Óculos,
- Faceshield.
2. Fluxo Unidirecional
Organizar a sala de esterilização com áreas separadas para cada etapa do fluxo;
Evitar a contaminação cruzada entre as etapas.
3. Empacotamento correto
- Secagem adequada;
- Embalagem adequada;
- Vedamento da embalagem;
- Identificar a data da esterilização.
4. Esterilização em autoclave
- A esterilização por autoclave acontece pelo vapor sobre pressão;
- Método exigido pela ANVISA;
- Seguir as recomendações do fabricante da autoclave;
- Não empilhar pacotes;
- Utilizar indicadores físicos, químicos e biológicos para monitorar a qualidade da esterilização.
3 etapas do monitoramento da esterilização na Odontologia
1. Monitoramento físico da esterilização odontológica
- Deve ser realizado em todos os ciclos de esterilização;
- Verificar o registro dos indicadores físicos mostrados no painel do equipamento;
- Avaliar tempo, temperatura e pressão.
2. Monitoramento químico da esterilização odontológica
- Monitora o processo de esterilização por meio de uma reação química com o indicador utilizado;
- Identifica se há falhas na qualidade da esterilização;
- São divididos em seis classes, mas na Odontologia são utilizados somente indicadores químicos Classe 1, 4, 5 e 6, sendo eles:
I. Classe 01
- Indicador de processo;
- Confirma se o material foi exposto ao ciclo de esterilização.
II. Classe 4
- Indicador multiparamétrico;
- Monitora múltiplos parâmetros simultaneamente;
- Exemplo: tempo e temperatura.
III. Classe 5
- Indicadores integradores;
- Registram a exposição cumulativa à um parâmetro durante todo o ciclo da autoclave.
IV. Classe 6
- Indicadores Emuladores;
- Simulam o comportamento de itens específicos durante o processo de esterilização.
3. Monitoramento biológico da esterilização odontológica
- Considerado o padrão-ouro da biossegurança;
- Utilizam esporos para monitorar todo o processo;
- Usar no mínimo semanalmente.
Os resultados devem ser registrados e os testes guardados por até 05 anos.
Como garantir a qualidade e durabilidade da esterilização na Odontologia?
- Limpe e desinfete bancadas, pias e superfícies entre cada ciclo de esterilização;
- Utilize a embalagem adequada para a categoria de artigo odontológico esterilizado;
- Não ultrapasse 75% da capacidade da autoclave;
- Ao esterilizar, mantenha espaço entre os pacotes;
- Guarde os materiais esterilizados em armários fechados, protegidos de calor, umidade e luz solar;
- O treinamento da equipe é essencial para promover a qualidade do processo e durabilidade da esterilização.
Outro ponto de extrema importância são os registros obrigatórios
- Controle de ciclos da autoclave;
- Resultados de indicadores químicos e biológicos;
- Manutenção preventiva e corretiva da autoclave.
Esses documentos não apenas atendem às exigências legais, mas também são ferramentas de gestão da biossegurança no consultório odontológico.
Conclusão
Na prática, a sala de esterilização odontológica é uma ferramenta de biossegurança que envolve estrutura física, fluxo bem definido, equipamentos confiáveis, protocolos e registros.
Por isso, é fundamental seguir a legislação elaborada pela ANVISA, bem como as orientações do CFO e CROs, para garantir a qualidade dos processos e a segurança do paciente e do profissional.
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Referências
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/rdc0050_21_02_2002.html
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2012/rdc0015_15_03_2012.html
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2011/rdc0063_25_11_2011.html
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