Desde 2019, quando o Conselho Federal de Odontologia (CFO) reconheceu a Harmonização Orofacial (HOF) como especialidade, esse segmento vem ganhando espaço na Odontologia brasileira. Com isso, a indústria vem desenvolvendo ao longo dos anos novos tipos de preenchedores para o preenchimento facial, o tratamento de rugas e o estímulo à produção de colágeno.
Entre as várias soluções utilizadas na HOF estão o ácido hialurônico, a hidroxiapatita de cálcio, o ácido poli-L-lático (PLLA), o PMMA e os materiais autólogos. Cada um apresenta características próprias, como composição, mecanismo de ação, absorção e finalidade clínica. Por isso, não são intercambiáveis.
Conhecer essas diferenças ajuda você a avaliar os preenchedores faciais com mais critério, considerando os objetivos do tratamento, a anatomia e as necessidades individuais.
Neste artigo, vamos explorar as características dos principais materiais, os critérios para comparar formulações e os cuidados importantes para orientar uma escolha consciente e segura.
O que são preenchedores faciais e para que servem?
Os preenchedores faciais são substâncias injetáveis biocompatíveis que suavizam rugas e linhas de expressão, restauram volume e redefinem contornos.
Na prática clínica, essas substâncias podem ser aplicadas na testa, olhos, nariz, têmporas, região malar, lábios e mento, fazendo parte de diferentes indicações clínicas, a saber:
- perda de volume facial;
- olheiras;
- sulco nasolabial e linhas de marionete;
- rugas e linhas de expressão, incluindo rugas periorais e sulcos infralabiais;
- aumento de volume labial;
- rinomodelação;
- redefinição de contornos da face;
- suavização de cicatrizes, como terapia complementar.
A duração varia conforme o material, a região tratada e as características de cada paciente, e nem todos os materiais são absorvíveis.
Por isso, é importante avaliar cada caso individualmente e definir o intervalo de retorno com base na bula do produto e na sua conduta clínica.
Preenchedores faciais x bioestimuladores de colágeno
Os preenchedores faciais são produtos injetáveis utilizados para restaurar volume, suavizar sulcos e modificar contornos da face, conforme a indicação de cada formulação.
Já os bioestimuladores de colágeno têm como principal objetivo estimular a produção de colágeno pelo próprio organismo, contribuindo gradualmente para melhorar a firmeza e a sustentação da pele.
Embora alguns materiais exerçam as duas funções, nem todos promovem o mesmo efeito volumizador, e o mecanismo de ação varia conforme a composição.
De forma geral, podemos dizer que a principal diferença entre os dois está no fato de que enquanto o preenchimento busca repor volume diretamente, a bioestimulação promove uma resposta progressiva dos tecidos.
Por isso, a escolha depende dos objetivos clínicos e das características de cada produto.
Quais são os principais tipos de preenchedores faciais?
Existem diversos tipos de preenchedores no mercado, com mecanismos e indicações distintos. Conheça os mais comuns:
Preenchedores e materiais autólogos
Entre os tipos de preenchedores, os autólogos são os únicos derivados do próprio paciente. Eles são coletados, processados conforme a técnica e reaplicados na área de interesse. Os exemplos mais conhecidos são:
- IPRF (fibrina rica em plaquetas injetável): concentra fatores de crescimento que contribuem para a cicatrização, a angiogênese e a regeneração tecidual.
- PRP (plasma rico em plaquetas): obtido pela centrifugação do sangue do paciente, é usado para melhorar a qualidade da pele e tratar rugas finas.
- Gordura autóloga: é usada para volumização facial. Por conter células com potencial regenerativo, também pode melhorar a qualidade da pele, mas a integração do enxerto varia entre pacientes e técnicas.
É importante distinguir o uso de materiais autólogos com finalidade regenerativa da volumização promovida por produtos desenvolvidos e regularizados especificamente para preenchimento.
A indicação depende da técnica, das evidências disponíveis e das normas aplicáveis.
Preenchedores sintéticos: hidroxiapatita de cálcio, PLLA e PMMA
Os materiais sintéticos são produzidos para desempenhar funções específicas nos tecidos. Eles apresentam diferenças relevantes de composição, mecanismo de ação, absorção e possibilidade de manejo em caso de intercorrências. Os principais são:
- Hidroxiapatita de cálcio (CaHA): composta por microesferas suspensas em um gel carreador. Conforme a formulação e a indicação clínica, pode promover volumização inicial e estimular a produção de colágeno. Não pode ser degradada pela hialuronidase.
- Ácido poli-L-lático (PLLA): material biodegradável cuja principal função é estimular gradualmente a produção de colágeno. Os resultados são progressivos, e podem ocorrer eventos adversos, como nódulos e irregularidades. Não apresenta a mesma reversibilidade do ácido hialurônico.
- Polimetilmetacrilato (PMMA): material permanente, cujas partículas não são absorvidas pelo organismo. Pode causar complicações graves, como inflamações tardias, nódulos, infecções e necrose. A Resolução CFM nº 2.461/2026 proibiu seu uso médico como preenchedor estético ou reparador, exceto para tratar lipodistrofia em pessoas com HIV/Aids, em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS e conforme os protocolos oficiais.
Preenchedor biológico: ácido hialurônico
O ácido hialurônico é um componente natural do tecido conjuntivo, da pele, da cartilagem e do fluido sinovial.
Por se ligar à água, ele adiciona volume, mantém a hidratação e atenua rugas e linhas de expressão. Entre os tipos de preenchedores biológicos, é o mais utilizado.
As formulações disponíveis diferem em concentração, grau de reticulação, tamanho de partícula e processo de fabricação. Essas variáveis definem as propriedades reológicas do gel, isto é, como ele se comporta ao ser injetado e ao receber a força dos tecidos:
- Viscosidade: resistência do gel ao escoamento.
- Elasticidade: capacidade de resistir à deformação e retornar à forma original.
- Coesividade: capacidade de o gel se manter unido, sem se dispersar.
- Reticulação: ligações cruzadas entre as cadeias, que influenciam a permanência do produto no tecido.
Outra característica do AH é poder ser degradado pela hialuronidase, o que o diferencia de outros materiais.
Como escolher um preenchedor de ácido hialurônico?
Os tipos de preenchedores à base de ácido hialurônico variam conforme a composição e as propriedades do gel, que influenciam seu comportamento nos tecidos. De forma geral, podemos diferenciá-los assim:
- Géis de baixa densidade: possuem textura mais fluída, menor elasticidade e viscosidade, sendo indicados para tratamentos de linhas finas e rugas superficiais.
- Géis de média densidade: possuem textura intermediária, oferecem mais resistência à deformação e podem contribuir para a sustentação e a projeção dos tecidos, sendo mais indicados para procedimentos como correção de bigode chinês e preenchimento labial.
- Géis de alta densidade: espessos e resistentes à deformação, são utilizados para reposição de volume profundo e definição dos contornos da mandíbula, do mento e da região malar, conforme a indicação do produto.
Apesar de importantes, essas características não definem, isoladamente, a indicação de um produto. Para escolher, considere também:
- Objetivo clínico: defina se o foco do tratamento é volume, contorno, hidratação ou linhas de expressão.
- Propriedades do gel: analise as propriedades reológicas informadas pelo fabricante, como viscosidade, elasticidade e coesividade.
- Anatomia e características dos tecidos: avalie a região, a mobilidade, a espessura dos tecidos e as forças que atuam sobre ela.
- Características individuais: observe as necessidades, as expectativas e o histórico de cada paciente.
- Instruções de uso: siga as indicações, a técnica e a profundidade descritas na bula.
- Regularização sanitária: confirme se o produto possui registro vigente na Anvisa e se a indicação pretendida corresponde à aprovada.
Não existe formulação universal. Entre todos os tipos de preenchedores, o produto adequado depende da combinação desses critérios. Para manter o resultado, acompanhe o paciente e estabeleça as datas de manutenção conforme cada caso.
Quer conhecer as opções disponíveis? Acesse a página de preenchedores faciais da Dental Cremer | Henry Schein e consulte as informações de cada produto para apoiar sua avaliação profissional.
Tipos de preenchedores: comparando as principais diferenças
A comparação abaixo resume as principais diferenças entre os materiais. Ela serve como apoio à avaliação profissional, não como indicação automática de um produto para determinada região, já que os resultados variam conforme produto, região tratada, técnica de aplicação e características individuais de cada paciente:
| Material | Característica principal | Mecanismo de ação | Absorção e limitações |
| Ácido hialurônico | Gel com diferentes propriedades reológicas | Preenchimento e retenção de água | Geralmente absorvível; algumas formulações podem ser degradadas com hialuronidase |
| Hidroxiapatita de cálcio | Microesferas em gel carreador | Volumização inicial e estímulo de colágeno, conforme o produto | Absorvível ao longo do tempo; não é revertida por hialuronidase |
| Ácido poli-L-lático (PLLA) | Material biodegradável bioestimulador | Estímulo gradual da produção de colágeno | Efeito progressivo; não apresenta reversão imediata por enzima |
| PMMA | Material de natureza permanente | Efeito duradouro associado à presença das partículas | Não é absorvido como os materiais temporários; intercorrências podem ser difíceis de manejar |
| Materiais autólogos | Derivados do próprio indivíduo | Varia conforme o material e a técnica | Retenção e resposta variáveis; não são equivalentes entre si |
Cuidados, segurança e limitações dos preenchedores faciais
Os diferentes tipos de preenchedores dérmicos são produtos injetáveis que exigem conhecimento técnico, avaliação individual e cumprimento das instruções de uso.
Mesmo quando regularizados, podem causar eventos adversos imediatos ou tardios, como edema, dor, hematomas, infecção, nódulos, alterações de contorno e complicações vasculares.
Por isso, a Anvisa reforça a necessidade de respeitar as indicações aprovadas e orienta os profissionais a avaliar os riscos, informar sobre possíveis complicações e manter a rastreabilidade do produto utilizado.
Também é essencial entender os limites de reversibilidade. A hialuronidase pode degradar o ácido hialurônico em determinadas situações, mas não funciona como antídoto universal para todos os materiais ou todas as complicações. A hidroxiapatita de cálcio, o PLLA e o PMMA exigem abordagens distintas, e o manejo depende da natureza do evento adverso.
Ao planejar o procedimento, mantenha o prontuário atualizado, registre o produto e o lote, siga as condições de armazenamento e tenha um protocolo para reconhecer e encaminhar intercorrências. A segurança depende da combinação entre avaliação clínica, produto adequado, técnica e acompanhamento.
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Conhecer os tipos de preenchedores é um passo importante para escolher o material mais adequado aos objetivos de cada tratamento.
Mas essa decisão também passa pela qualidade dos produtos, pela procedência e pelas informações técnicas que orientam seu uso. Afinal, cada material tem características, indicações e limitações próprias, que precisam ser consideradas na prática clínica.
Por isso, vale contar com um fornecedor de confiança e comparar as opções disponíveis antes de decidir.
Na Dental Cremer | Henry Schein, você encontra vários produtos para harmonização orofacial, como preenchedores faciais sintéticos e biológicos, bioestimuladores, toxina botulínica, dermocosméticos, fios faciais e demais soluções profissionais, para levar segurança, beleza e bem-estar aos seus pacientes. Confira!
FAQ – Tudo o que você precisa saber sobre tipos de preenchedores
Quais são os principais tipos de preenchedores faciais?
Os principais incluem ácido hialurônico, hidroxiapatita de cálcio, ácido poli-L-lático (PLLA), PMMA e materiais autólogos, como gordura. Cada opção tem características, indicações e limitações específicas.
Qual é a diferença entre ácido hialurônico e bioestimuladores?
O ácido hialurônico pode promover preenchimento e retenção de água, com efeito volumizador após a aplicação. Já os bioestimuladores de colágeno, como o PLLA e determinadas formulações de hidroxiapatita de cálcio, atuam estimulando uma resposta gradual dos tecidos. Os mecanismos e os resultados não são iguais.
Qual é a diferença entre hidroxiapatita de cálcio e PLLA?
A hidroxiapatita de cálcio pode proporcionar volumização inicial e estimular colágeno. O PLLA atua principalmente como bioestimulador, com resultados progressivos. Ambos exigem planejamento e respeito às indicações do fabricante.
Todo preenchedor de ácido hialurônico pode ser revertido?
Não se deve presumir que todo evento adverso possa ser revertido de forma simples. A hialuronidase pode degradar o ácido hialurônico, mas a resposta varia conforme a situação clínica. Além disso, complicações vasculares exigem avaliação e manejo imediatos por profissional capacitado.
Como avaliar as diferenças entre as formulações?
Compare a composição, a concentração, o grau de reticulação, as propriedades reológicas, as indicações aprovadas e as orientações do fabricante. Considere também a anatomia, o objetivo clínico e as características individuais. Nenhuma propriedade isolada garante um resultado específico.
Onde encontrar preenchedores faciais para uso profissional?
Na Dental Cremer | Henry Schein, você encontra vários tipos de preenchedores faciais para sua prática clínica. Acesse o site da Dental Cremer, visite a categoria de Harmonização Orofacial, conheça os produtos disponíveis e compare suas características para apoiar suas escolhas profissionais.
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