Me formei em Odontologia, quais são os próximos passos?

Esse tema sempre gera bastante curiosidade, visto que é o “calcanhar de Aquiles” de muitos estudantes de Odontologia. A graduação, por si só, é um período estressante da vida de um indivíduo, em que muitas dúvidas surgem. Nem sempre é possível gostar de tudo, de todas as disciplinas e todas as especialidades (apesar de que, algumas e raras vezes, isso pode acontecer).

Portanto, se você é um desses indivíduos que gosta de tudo, meus parabéns! Seu problema será menor, pois muito provavelmente por qualquer caminho que decida seguir, você se sairá bem e ficará satisfeito e realizado. Porém, se assim como a grande massa dos meus amigos (me incluo nessa), você está se perguntando “me formei e agora quais os próximos passos?”, esse post é para você!

Vou dar algumas dicas de como se posicionar e se organizar com relação aos “próximos passos”.

1. Me formei e agora eu sei do que eu “não gosto” na Odontologia

É mais fácil começar pela eliminação daquelas coisas que não queremos fazer, acredite. Porém, não seja por demasiado rígido. Sabe por quê? Após sua formatura, talvez quando for atuar e trabalhar, você quebre algumas rejeições e preconceitos da época da graduação. Isso porque no curso, muitos professores ou até mesmo situações, nos fazem criar determinados bloqueios com determinados procedimentos, técnicas ou disciplinas.

Na “vida real”, pode ser que sua adaptação seja positiva. Então, antes de definir de maneira certeira aquilo que você NÃO pretende fazer/seguir, atue por um período ou fale com alguém bem-sucedido na carreira. Sim, isso mesmo! Por exemplo: você saiu da graduação detestando endodontia. Professor super “carrasco”, nunca gostou de você, reprovou algumas vezes e na clínica você foi de fratura de lima ao abcesso fênix. Só experiência frustrante. Mas, antes de “desistir” ou “queimar o filme” da endo pra sempre no seu coração, procure conversar com algum profissional que seja referência, bem-sucedido e ame o que faz. Seja transparente com ele, diga “me formei recentemente e estou em dúvida do que seguir na minha carreira, você pode me ajudar?”.

Contraponha experiências, fatos e gostos. Depois liste sua sequência de preferências.

>>> Leia mais: Como o networking pode te ajudar a ter sucesso? <<<

2. Depois de feita sua listinha de preferências, estabeleça suas prioridades.

Pronto. Começou sua lista “debaixo pra cima”. Entre as carreiras que você menos pretende seguir, às que você mais acha que se identifica ou gosta. Elenque suas prioridades. Entre elas, estabeleça pontos negativos e positivos de cada uma delas, inclusive preço de curso de especialização, tempo de investimento, possíveis professores, ambiente de trabalho, custos, possíveis lucros, e quaisquer outros detalhes que te venham à mente.

3. Diante das possibilidades reais e seus gostos elencados, entenda os caminhos para elas.

Cada carreira ou cada especialidade, bem como cada região do país, oferece oportunidades diferentes entre si. Por exemplo: para se tornar buco, você pode ingressar na residência ou fazer uma especialização. Cada uma com uma carga horária, cada uma com um foco.

Mas, se você gosta de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (ctbmf) só porque curte muito extração e cirurgias, não precisa necessariamente se tornar residente ou especialista, podendo optar por cursos rápidos de atualização, imersão ou aperfeiçoamento em cirurgia oral menor.

Este foi apenas um exemplo. Cada especialidade possui múltiplas oportunidades de sequência para formação, e você precisa pesquisar e se inteirar a respeito. A dica de conversar com alguém que seja referência na área também se aplica aqui.

4. Me formei e agora, “emendar” ou começar a atuar?

Quanto a essa pergunta, que sempre escuto, não me atrevo a responder porque tudo depende. Depende do quanto você viveu daquilo na graduação, do quanto se sente pronto e certo do que você quer, depende das suas possibilidades financeiras, oportunidades, necessidades pessoais, tempo, depende inclusive da sua família (visto que muitas carreiras exigem dedicação exclusiva e fazem com que você ainda dependa de um suporte familiar por algum tempo).

Se você pode e quer iniciar algo, inicie o quanto antes. Mesmo que você veja que “não é pra você”, nenhum estudo ou conhecimento é perdido. Porém, entenda, não é necessário ser especialista em nada para começar a ganhar dinheiro e ser reconhecido na odontologia. Inclusive, faltam clínicos gerais (realmente generalistas) no mercado.

Sendo bom e responsável, você será reconhecido e visto pelo seu trabalho, mesmo atuando como cirurgião-dentista clínico geral, antes de definir qual especialidade ou carreira seguir.

5. Me formei será que eu vou para um mestrado/doutorado, residência ou especialização?

Como dito, pessoal, depende muito da sua opção. Muitas especialidades não oferecem residência. Outras só oferecem residência. Mestrado acadêmico, entenda, é para quem quer ser professor. Você pretende ser professor? Faça. Não pretende? Nem precisa iniciar. O mestrado acadêmico (geralmente público, ofertado por faculdades federais) te dá ferramentas para montar aulas e lecionar na área que você exerce.

Já o mestrado profissionalizante (normalmente pago, particular), é uma mescla da educação para docentes associada a uma experiência ampla em clínica, para que você se aperfeiçoe mesmo na atuação. Não confunda. Entre si, possuem algumas diferenças e, inclusive, processos seletivos que aceitam um, normalmente rejeitam o outro. Já o doutorado, passo posterior ao mestrado, existe para formação de pesquisadores. Portanto, se essa área acadêmica de ensino e pesquisa te enche os olhos (como no meu caso), você será imensamente realizado com o título. Não é nada fácil, exige bastante, então não faça “por fazer”.

A especialização, por sua vez, é justamente um curso focado em alguma especialidade, que te permite aumentar o nível de complexidade dos casos que você já realizava durante a faculdade. O especialista resolve os casos específicos e mais difíceis de cada especialidade… E normalmente tende a começar a atender, aos poucos, cada vez menos casos que fujam à especialidade (quanto mais especialista, menos clínico geral, se é que me entendem). Isso não é ruim! Mas as pessoas começarão a te procurar para fazer somente CERTAS coisas. Eu, por exemplo, ainda atendo adultos. Mas 90% da minha agenda hoje é de odontopediatria, porque sou reconhecida pela minha especialidade e me procuram para isso! O que é excelente. É por isso que é fundamental que você escolha algo que te satisfaça porque, cada vez mais, você realizará casos mais complexos desta área e, cada vez menos, fará coisas diferentes da sua especialidade.

Deu pra clarear um pouco a respeito? E diminuir a ansiedade que gira em torno da pergunta “me formei e agora o que eu faço?”. Coloca tudo no papel, siga esse passo a passo e me conta o que decidiu ou está tendencioso a fazer.

Independente da sua escolha, seja feliz. A Odontologia é linda, e tem espaço para todos!

Um beijo fluoretado da tia Sam.

Para mais dicas e compartilhamento de casos legais em odontopediatria, sigam: @drasamanthasousa

Também estou à disposição para dúvidas.

Comentários

Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *