Dispositivos de Raios X portáteis: Permitidos ou não?

Antigamente os telefones fixos eram a forma mais fácil de se contactar alguém. Com o advento dos celulares, os primeiros quase se tornaram obsoletos. Essa revolução ocorreu por uma grande vantagem: a portabilidade. Será que isso ocorrerá com os aparelhos portáteis em detrimento aos dispositivos de raios x convencionais?

O que são os raios x portáteis: Vantagens e desvantagens.

Os dispositivos de raios x portáteis para radiografias intrabucais foram primariamente desenvolvidos no início dos anos 90 para missões militares, mas atualmente, têm sido utilizados também nas clínicas odontológicas. Eles se assemelham a uma câmera fotográfica ou a um secador de cabelo e, diferentemente dos dispositivos convencionais, são alimentados por bateria e não possuem base fixa. Para a realização das radiografias intrabucais, geralmente o próprio operador é quem segura o dispositivo, porém tripés articuláveis também possam ser utilizados.

As características de serem compactos, leves e independentes de fios, possibilitam a sua fácil mobilidade, sendo seu maior diferencial.

Sobre as principais desvantagens

Possui configurações de exposição mais complexas, possibilidade de movimentação na aquisição radiográfica devido à estabilização difícil, dependência de bateria, uso em ambientes não controlados, além de incompatibilidade com posicionadores, dispositivos de direcionamento do feixe e colimação retangular o que pode levar a um aumento da área de exposição e maior dificuldade técnica na definição dos ângulos. Esses problemas podem resultar na violação dos princípios da ALARA e dos critérios de radioproteção.

>>>Leia também: ALARA, ALADA OU ALADAIP: o que são?

O que diz a vigilância sanitária sobre raios x portáteis:

Se antes as orientações eram vagas, a última RDC nº 611, de 9 de março de 2022 da ANVISA é bem clara e diz no seu artigo 81: “Ficam proibidas: IV – a utilização de equipamento de radiologia diagnóstica ou intervencionista móvel como fixo, exceto em condições temporárias para atendimentos de urgência ou emergência, mediante parecer do responsável técnico”. Ou seja, os dispositivos portáteis não devem ser usados na rotina de consultórios odontológicos. Seu uso deve ser restrito a situações em que o dispositivo convencional não seja possível. Alguns exemplos de condições excepcionais em que o uso é indicado:

  • Análises forenses em catástrofes em massa ou acidentes fatais onde os indivíduos devem ser identificados no local;
  • Centros cirúrgicos, quando o paciente está sob efeito de anestesia/ sedação e salas de emergência ou instalações hospitalares em pacientes imobilizados;
  • Centros de detenção e lares de idosos, onde os pacientes estão de alguma forma “confinados”;
  • Operações em áreas remotas como em operações militares, áreas rurais, países em desenvolvimento ou áreas isoladas sem instalações odontológicas e em alguns casos, sem energia elétrica também.

Quais cuidados tomar?

Nos casos supracitados e quando há indicação radiográfica, a portabilidade pode trazer uma solução para casos impraticáveis com o aparelho convencional. Nesses casos há algumas orientações sobre seu uso:

Local:

  • Identificar a área mais adequada para a realização do exame evitando janelas, portas e áreas de passagem. Se possível utilizar métodos de blindagem como biombos;
  • Orientar que terceiros não entrem inadvertidamente na sala de escolha e manter uma “área controlada” ao redor do dispositivo;

Atenção: No caso de incertezas ou despreparo na avaliação de risco, deve ser providenciada a consultoria de um especialista em física médica.

Paciente:

Além das práticas de radioproteção já estabelecidas para o aparelho convencional, anotar no prontuário do paciente qual foi o dispositivo utilizado, a justificativa pela escolha de um dispositivo portátil, número de tomadas radiográficas e métodos de radioproteção utilizados.

Operador:

– Recomenda-se o uso de uma blindagem de retro espalhamento no dispositivo com no mínimo 0,25mm equivalente a chumbo e 15cm de diâmetro;

– Treinamento prévio para utilização do dispositivo a fim de diminuir repetições;

– Considerar o uso de barreiras de proteção como aventais plumbíferos.

>>>Leia também: Aventais pumblíferos: quando utilizá-los na radiologia odontológica?

Conclusão

Alguns dispositivos portáteis já testados produzem imagens com qualidade satisfatória e possuem a mobilidade como vantagem quando comparado aos dispositivos convencionais. Em alguns trabalhos são considerados confiáveis em relação aos critérios de radioproteção. Em outros, apresentam aumento de exposição ao operador e paciente quando comparados aos aparelhos fixos. Portanto, em alguns casos específicos, realmente podem oferecer benefícios, mas devido ao potencial aumento da radiação, devemos manter as doses tão baixas quanto razoavelmente exequíveis e apenas lançar mão de dispositivos portáteis quando os convencionais têm seu uso limitado ou impossibilitado.

 

Sobre a autora:

Profa. Msc. Phd. Thaís Sumie Nozu Imada-Pivetta | @radiologistasonline

  • Graduada em Odontologia pela FOB/USP
  • Especialista em Radiologia Odontológica e Imaginologia pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/USP-Centrinho)
  • Mestre e Doutora em Estomatologia pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP)
  • Doutorado Sanduíche na KULeuven (Bélgica)
  • Aperfeiçoamento em Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico turma Marcelo Cavalcanti (FUNDECTO-USP)
  • Aperfeiçoamento em Tomografia Volumétrica (INDOR)
  • Aperfeiçoamento em Odontologia Hospitalar (FOB/USP)
  • Aperfeiçoamento em Cirurgia Oral Menor e Cirurgia Periodontal (APCD-Bauru)
  • Professora do Curso de Odontologia da UNIGRAN
  • Professora do Curso Tecnólogo em Radiologia UNIGRAN
  • Sócia proprietária das clínicas Maxilare-MS Radiodiagnóstico Odontológico
  • Gerente operacional equipe de telelaudo Radiologistas Online

Referências bibliográficas:

Pós-Graduação – FOB/UNICAMP. Você conhece os aparelhos de raios x portáteis? Piracicaba. 14 de Julho 2021. @radiologiafopunicamp

Melissa Feres. Informação importante! Faculdade de Odontologia UFPel. 10 de Abril 2022. @melissaferes

ZENÓBIO, Elton G. et al. Assessment of image quality and exposure parameters of an intraoral portable X-rays device. Dentomaxillofacial Radiology, v. 48, n. 3, p. 20180329, 2019.

Berkhout WE , Suomalainen A , Brüllmann D , Jacobs R , Horner K , Stamatakis HC . Justification and good practice in using handheld portable dental X-ray equipment: a position paper prepared by the European Academy of DentoMaxilloFacial Radiology (EADMFR . Dentomaxillofac Radiol 2015. ; 44 : 20140343 . doi: 10.1259/dmfr.20140343

SMITH, Richard; TREMBLAY, Richard; WARDLAW, Graeme M. Evaluation of stray radiation to the operator for five hand-held dental X-ray devices. Dentomaxillofacial Radiology, v. 48, n. 5, p. 20180301, 2019.
Ministério da Saúde/ Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC Nº 611, de 9 de março de 2022.

NITSCHKE, Julia et al. Image quality of a portable X-ray device (Nomad Pro 2) compared to a wall-mounted device in intraoral radiography. Oral radiology, v. 37, n. 2, p. 224-230, 2021.

GEIST, James R. Handheld intraoral dental x-ray devices should supplement but not replace conventional radiographic equipment. Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology and Oral Radiology, 2021.

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