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Radiologia odontológica: o que mudou pós-pandemia?

Radiologia odontológica: o que mudou pós-pandemia?
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Atenção radiológicos odontológicos! Vamos falar sobre um assunto muito importante e agora bem atual? Vou começar esse artigo te perguntando: você já se adequou ao “novo normal” da clínica de radiologia odontológica?

Mas você pode se perguntar:

  • O que é o novo normal?
  • Como ele afetou a radiologia odontológica?
  • Como estamos tratando com as imagens radiográficas na clínica odontológica e de radiologia odontológica?
  • Como iremos proceder no pós-pandemia?”

Então, prepare-se! Pois eu vou te explicar a seguir tudo o que você precisa saber para entender a nova realidade e se preparar para ela. Afinal, profissional consciente está atento às mudanças e, por consequência, pode se organizar e preparar a sua rotina clínica para melhor atender seus pacientes com qualidade e segurança.

Três pontos importantes nesse cenário em radiologia odontológica: biossegurança na radiologia odontológica, os tipos de exames realizados e a utilização de imagens digitais.

Biossegurança na radiologia odontológica

Como você já sabe, a biossegurança na odontologia é um conjunto de medidas técnicas que servem para informar e prevenir os profissionais da saúde dos riscos a que estão expostos em virtude da grande variedade de microrganismos presentes no ambiente de trabalho. Além disso, tem como objetivo minimizar o potencial de contaminação cruzada.

É importante relembrar as vias de transmissão das doenças na odontologia e na radiologia: contato direto com patógenos presentes na saliva, sangue, secreções respiratórias e lesões. Além do contato direto com contaminantes aéreos presentes na cuspideira ou aerossóis dos fluidos respiratórios ou bucais e o contato indireto com objetos, instrumentos ou superfícies contaminadas. A Biossegurança, portanto, envolve todas as etapas de controle de infecção na clínica radiológica também. De acordo com um artigo científico recentemente publicado, mesmo que na radiologia o risco de contaminação seja relativamente baixo, a biossegurança é extremamente necessária, devendo ser intensificada nesse nosso “novo normal”.

Condutas de biossegurança para a radiologia

Temos na literatura científica, inúmeros artigos nos direcionando para determinadas condutas como por exemplo, a realização de bochecho pré-procedimento exame radiográfico. O bochecho pode ser realizado com o peróxido de hidrogênio 0,5 – 1%, o Iodo-Povidone –PVP I a 0,2% e a clorexidina 0,12%, que podem ser utilizados na tentativa de redução da carga microbiana oral.

Devido à pandemia, surgiram muitos artigos científicos abordando as medidas de prevenção e combate da doença na odontologia. E na radiologia odontológica não foi diferente! A geração de aerossóis através da tosse induzida por radiografias intraorais deve ser tratada, seguindo as orientações do controle de infecção para COVID-19.

A biossegurança na radiologia ainda é muito negligenciada

Aproveito aqui para lhes dizer que infelizmente a biossegurança na radiologia é ainda muito negligenciada, tanto no consultório quanto na clínica de radiologia. E cabe aos profissionais terem consciência disso para mudarem suas condutas. Seguir à risca a biossegurança nos procedimentos que envolvem a radiologia no consultório e na clínica de radiologia odontológica é então tarefa mais do que obrigatória (sendo que sempre foi, ou deveria ser sempre) aos profissionais envolvidos nas atividades.

Tipos de exames na radiologia odontológica

Conforme citei acima, o segundo ponto para nos atentarmos é em relação aos tipos de exames realizados na radiologia odontológica. Relembrando, os exames intraorais são aqueles onde o filme/sensor radiográfico é introduzido dentro da boca do paciente, enquanto que no exame extraoral a imagem final é formada com o filme/sensor radiográfico fora da boca do paciente.

Considerando isso, artigos científicos defendem que as radiografias intraorais podem estimular a secreção salivar e o reflexo de tosse no paciente. Assim sendo, a radiografia panorâmica e a tomografia computadorizada de feixe cônico seriam as alternativas indicadas durante a pandemia.

Isso sugere que seria de responsabilidade do cirurgião-dentista avaliar atentamente o caso e considerar, se possível, a indicação do exame extraoral ao exame intraoral (evitando a realização das radiografias periapicais).

Como adaptar o atendimento radiológico?

O terceiro e último aspecto que devemos atentar é em relação à utilização e intensificação dos exames digitais e do compartilhamento dos mesmos via internet. Na minha percepção, o COVID-19 veio para adiantar o que a radiologia odontológica e a medicina diagnóstica já apontavam há algum tempo: a necessidade de esclarecimento a respeito das imagens digitais e a conduta de trabalharmos com o compartilhamento on-line dos exames. Com isso, conseguimos reduzir as impressões.

Nesse sentido, em meio à crise de saúde pública provocada pela epidemia do novo coronavírus, a ABRO- Associação Brasileira de Radiologia Odontológica, juntamente com o CFO-Conselho Federal de Odontologia, se manifestaram em relação ao tema e estão à frente dessa nova postura. Toda a classe de radiologistas estão se unindo nessa campanha de conscientização de todos os profissionais envolvidos nesse processo, desde a obtenção da imagem, confecção do laudo à entrega final para o paciente e dentista.

Um novo formato benéfico para o profissional e para os pacientes

O objetivo é de esclarecer aos pacientes quanto às vantagens e benefícios dessa nova maneira de ter os exames radiológicos na odontologia. Bem como educar os nossos profissionais na rotina clínica e na clínica radiológica, estimulando a utilização de exames digitais e a não impressão dos mesmos. Temos muitos motivos para isso:

Bem como também esclareço outro ponto pertinente a respeito das imagens digitais: o laudo radiológico que deve vir sempre acompanhado da imagem, caso contrário, constitui infração ao código de ética odontológico. A impressão em filme radiográfico ou papel fotográfico seria, portanto, uma forma de retrocesso na radiologia odontológica.

Dessa forma, o compartilhamento on-line dos exames, juntamente com as boas práticas de biossegurança durante os atendimentos, pode certamente ser nossa aliada no combate à pandemia e mesmo pós-pandemia. Podendo ajudar no controle do risco de contaminações/infecções.

Espero ter te ajudado a entender melhor o momento atual, e em como podemos atuar com segurança e responsabilidade nesse período.

Seja um profissional consciente, da nova era e no novo normal. Até o próximo artigo!

Referências bibliográficas:

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Watanabe & Arita. Imaginologia e Radiologia Odontológica. ELSEVIER. 2ª ed
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Bizzoca, M.E.; Campisi, G.; Lo Muzio, L. Covid-19 Pandemic: What Changes for Dentists and Oral Medicine Experts? A Narrative Review and Novel Approaches to Infection Containment. Int. J. Environ. Res. Public Health 202017, 3793.

Dave, Manas et al. “Urgent dental care for patients during the COVID-19 pandemic.” Lancet (London, England) vol. 395,10232 (2020): 1257. doi:10.1016/S0140-6736(20)30806-0

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Peditto M, Scapellato S, Marcianò A, Costa P, Oteri G. Dentistry during the COVID-19 Epidemic: An Italian Workflow for the Management of Dental Practice. Int J Environ Res Public Health. 2020;17(9):3325. Published 2020 May 11. doi:10.3390/ijerph17093325

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  • Maria Beatriz Carrazzone Cal Alonso

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    Graduada FORP-USP; Especialização em Radiologia Odontológica FOP-UNICAMP; Mestrado em Radiologia Odontológica FOP-UNICAMP; Doutorado em Radiologia Odontológica FOP-UNICAMP; MBA em Gestão Educacional ESALQ-USP; Professora Associada dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação UNILAGO- São José do Rio Preto/SP; Professora do Curso de Tecnólogo em Radiologia UNILAGO; Coordenadora do Curso de Odontologia UNILAGO; Professora Convidada do Curso de Especialização em Radiologia AORP-Ribeirão Preto/SP; Radiologista atuante na Teleodontologia. Experiência em: radiologia e imaginologia odontológica, diagnóstico por imagem, tomografia computadorizada por feixe cônico (Cone Beam), radiografia panorâmica, anatomia, análises radiomorfométricas, qualidade óssea maxilomandibular e correlação com doenças sistêmicas e osteoporose mandibular.
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