Periodontia

Tudo o que você precisa saber sobre GUNA

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Primeiramente, devo dizer que esse é o novo nome da doença que antigamente era chamada de Gengivite Ulcerativa Necrosante. Ainda mais no passado, adicionávamos o termo “Aguda”, fazendo com que os dentistas a chamassem carinhosamente de GUNA. Definitivamente, um apelido que pegou até hoje. Uma doença com fatores bem marcantes e de incidência em pacientes sistemicamente fragilizados.

Essa doença, identificada há muitos anos, já foi chamada de Gengivoestomatite de Vincent. Soldados em situação de guerra estavam expostos a muito estresse, condições precárias de alimentação, de higiene e baixa imunidade – Bingo! Muitos deles desenvolviam a gengivite necrosante e por causa disso, ela ganhou popularmente o nome de “Boca de Trincheira”.

De antemão, precisamos nos acostumar com as mudanças de nomes de doenças e classificações em Odontologia. Quando entrei na Especialização de Periodontia, em 2005, senti certa dificuldade nesse quesito porque as diferentes classificações acabam nos confundindo. Por exemplo, a tal Periodontite Juvenil passou a se chamar Periodontite Agressiva e nesta nova classificação de 2018 entra em um novo quesito que mede o grau de progressão da doença periodontal.

Enfim, as características marcantes dessa doença não mudam. A Gengivite Necrosante se apresenta com ulcerações e necrose das papilas gengivais, sangramento, odor fétido e muita dor. Bem característica. Frequentemente, ela pode estar associada a baixíssima imunidade, hábitos nocivos como tabagismo excessivo, consumo exagerado de bebida alcoólica e ao HIV. Assim, vale a pena solicitar um exame de sangue e explicar direitinho aos pacientes quando ela parece. Em outros casos pode estar relacionada também a grandes períodos de estresse como separação dos pais, perda de emprego, época de vestibular, morte de parentes, pressão no trabalho ou nos estudos.

Diagnóstico da Gengivite Necrosante

O dentista, no exame clínico, vai notar presença de biofilme, pseudomembranas esbranquiçadas, “papilas invertidas” – já em fase de necrose, hálito muito ruim e os pacientes chegam com muita dor. Além disso, os pacientes podem relatar “hálito metálico” e febre. Se houver perda óssea no local, aí a gente classifica a doença com Periodontite Necrosante (na classificação antiga chamada de PUN e mais antigamente de PUNA). Se o paciente não tiver dentes, ou a região afetada for a mucosa ela ganha a alcunha de “Estomatite Necrosante”. Em suma, o quadro visual é bem feio e os pacientes costumam chegar de urgência ao consultório.

No melhor dos mundos, seria conveniente diagnosticar as lesões quando estão iniciando. Um olhar atento de um profissional treinado pode identificar o início das lesões, antes da atingirem sua forma aguda dolorida.

Os problemas dessas doenças necrosantes são as sequelas que elas podem deixar. Sabemos que a papila interdental é uma região nobre e que após perdida, dificilmente se recupera, deixando espaços que podem afetar a estética e a escovação dos pacientes.

Como tratar a Gengivite Necrosante

Existem alguns protocolos para resolução de quadros periodontais necrosantes. É imprescindível que o quadro agudo seja resolvido no próprio dia do diagnóstico ou quando o paciente aparece com urgência no consultório.

Na primeira abordagem é preciso fazer uma profilaxia suave nos dentes envolvidos sem passar a escova de Robinson sobre as ulcerações – pode ser necessário entrar com anestesia porque as lesões doem muito. Algumas abordagens sugerem que o dentista passe algodão embebido em clorexidina sobre as pseudomembranas esbranquiçadas, removendo parte desse tecido necrótico. Receitamos 2 a 3 bochechos diários com Digluconato de Clorexidina a 0,12% e cada dentista tomará a decisão sobre receitar ou não antibióticos. Isso vai depender do quadro sistêmico dos pacientes ou do relato de febre. Analgésicos também são bem-vindos.

Cerca de três dias depois, o paciente retorna já com certa melhora do quadro agudo e menos dor. Nesse dia, é possível realizar uma raspagem e alisamento dos dentes envolvidos e reforçar os cuidados locais. Pegue o espelho e mostre ao paciente como ele deve proceder. Dê uma escova na mão dele, mostre como passar o fio dental ou a escova interdental.

Depois de 7 a 10 dias da consulta inicial seria bom ver o paciente mais uma vez com o total sumiço do problema agudo. Este é um momento chave, para planejamento sobre futuras intervenções na região e avaliar os exames de sangue solicitados. Para total cicatrização da região, costumamos aguardar cerca de 45 a 90 dias para iniciar procedimentos de reconstrução periodontal sobre as sequelas, quando possível.

Cuidados a serem tomados

Enfim, é interessante explicar ao paciente que essa doença tem um gatilho emocional ou imunológico muito forte. Entretanto, ela não vai aparecer se a higiene oral for bem feita com a devida frequência. Percebemos que algumas pessoas, quando estão passando por momentos de estresse ou grandes problemas, acabam por negligenciar a higiene oral, fazendo com que o problema se torne uma bola de neve. E aí? Você já se deparou com esta doença? Tem alguma outra abordagem ou consideração? Deixe seu comentário.

Um Abraço,

Link da Nova Classificação das Doenças Periodontais – http://www.scielo.br/pdf/rounesp/v47n4/1807-2577-rounesp-47-4-189.pdf

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