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Meu paciente tem diabetes… E agora?

Meu paciente tem diabetes… E agora?
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A diabetes afeta um grande número de pessoas e promove incapacitações, o que torna importante conhecer e saber lidar com este distúrbio metabólico. O dentista deve compreender as alterações sistêmicas causadas por esta patologia e considera-la no planejamento e tratamento odontológico.

O que é a diabetes?

É uma doença crônica causada por uma deficiência herdada ou adquirida na produção de insulina pelo pâncreas. Ao longo do tempo, as variações nas concentrações séricas da insulina levam a danos corporais, principalmente nos nervos e vasos sanguíneos.

Quem pode ter?

O paciente de qualquer idade pode apresentar essa patologia. Crianças e adolescentes podem apresentar Diabetes Mellitus Tipo I, que ocorre quando o pâncreas não consegue produzir insulina essencial à sobrevivência. Nos adultos, a inabilidade do organismo para responder apropriadamente à ação da insulina produzida pelo pâncreas causa a Diabetes Mellitus Tipo II. Em gestantes, pode ocorrer a Diabetes Mellitus Gestacional e que, geralmente, é resolvido pós-parto e pode retornar anos depois, na maioria dos casos.

O que causa?

O aumento do número de casos de diabéticos está fortemente associado à qualidade de vida. Por este motivo, a industrialização – o maior consumo de dietas hipercalóricas -, a inatividade física e obesidade são os maiores fatores de risco para o surgimento da doença.

E o diagnóstico?

O diagnóstico é baseado em exames laboratoriais que medem os níveis glicêmicos. Assim, pode ser verificado através de exames como glicose plasmática em jejum e também da avaliação trimestral da hemoglobina glicosilada.

Clinicamente, a diabetes pode apresentar características diferentes para cada subtipo. No tipo I, ocorre aumento do volume urinário (poliúria), aumento da sede (polidipsia) e aumento da fome (polifagia), além da perda de peso. Já no tipo II, que geralmente é diagnosticado tardiamente, ocorrem complicações microvasculares que tem como maior consequência má circulação, problemas cicatriciais e consequentes amputações.

O dentista precisa ter algum cuidado no atendimento ao diabético?

É importante que cada paciente seja assistido de forma individual, principalmente porque cada um manifesta a doença de forma particular. A anamnese e o exame clínico são extremamente importantes e, neste momento, o profissional deve obter informações sobre o controle da doença e o acompanhamento médico regular.

Os pacientes diabéticos bem controlados podem ser tratados de maneira similar ao paciente não diabético, na maioria dos procedimentos dentários de rotina. Porém, cuidados devem ser tomados:

• Deve ser realizada a checagem da glicemia capilar com glicosímetro antes, durante e após a consulta;

• A certificação do uso correto de medicamentos;

• Priorização de consultas curtas, no meio da manhã;

• Redução do risco de estresse físico, emocional e de infecção;

• Manipular tecidos bucais por menor tempo para processo mais rápido de cicatrização.

Quais as principais manifestações bucais da diabetes?

• Doença periodontal;

• Candidíase bucal;

• Xerostomia;

• Outros achados menos comuns são: distúrbio de gustação, tumefação das glândulas salivares e perda óssea alveolar.

E a anestesia? Precisa ser diferente?

Sabe-se que a epinefrina apresenta um efeito farmacológico oposto ao da insulina e, por este motivo, o uso de vasoconstrictores do grupo das catecolaminas (epinefrina, norepinefrina e neocoberfina) deve ser evitado. O uso da felipressina está liberado.

E as medicações para a dor?

Alguns anti-inflamatórios não-esteroides (AINES) podem competir com os hipoglicemiantes orais pelos mesmos sítios de ligação com proteínas plasmáticas, deslocando-as e impedindo a ligação destas. Por isso, é importante consultar um médico antes da prescrição. Os AINES mais usualmente indicados para pacientes diabéticos são benzidamina e diclofenaco. A dipirona ou paracetamol são os analgésicos mais indicados em caso de dor ou desconforto de intensidade leve. Em pacientes compensados, quando há a necessidade de procedimentos mais invasivos, betametasona ou dexametasona em dose única, podem ser utilizadas.

Uma parte dos pacientes que vão ao consultório dentário desconhece ter a doença, e o dentista deve estar atento para suspeitar de uma diabetes não diagnosticada. Quando o paciente apresentar manifestações que sugiram a doença, deve-se prescrever exames para verificar a glicemia e o paciente deve ser encaminhado para avaliação de um endocrinologista.

Para que o dentista possa oferecer o melhor cuidado aos pacientes portadores de diabetes, é preciso que esteja atualizado em relação ao distúrbio metabólico, suas consequências e necessidades. A saúde oral é importante para a promoção e manutenção do bem-estar e qualidade de vida do paciente portador desta patologia.

Ficou com alguma dúvida? Escreva para mim!

Até a próxima 🙂

Autora: Dra. Julia Honorato – Dentista Estomatologista. Mestre em Patologia Bucal (UFF). Doutora em Saúde Coletiva (UERJ).  Habilitada em Laserterapia (LELO/USP). Capacitação em odontologia Hospitalar (SES/RJ).

Instagram: @drajuliahonorato

Facebook: Dra Julia Honorato

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