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O Torque em Implantodontia: quanto maior melhor?

O Torque em Implantodontia: quanto maior melhor?
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Recentemente, um paciente ficou fascinado com o procedimento que eu estava realizando. Assim que terminei a instalação de um componente protético sobre seu implante, ele olhou para a bandeja clínica curioso e perguntou: “Isso é um torquímetro?”. Respondi que sim e ele me contou que trabalha com mecânica automotiva. Mostrei para ele como o nosso torquímetro funciona e a importância de conhecermos as recomendações de cada fabricante, o quanto de torque podemos dar em cada fase do tratamento sem causar danos ou chegar próximo de uma fratura de peças, ou até mesmo “espanar” uma conexão.

Mas como determinar o torque e evitar riscos durante o atendimento? 

Torque é uma grandeza física. É a medida quantitativa de uma força aplicada em um movimento de rotação. Portanto, para instalar implantes é fundamental determinarmos o torque em nossos motores. Podemos utilizar o torquímetro (também chamado de catraca), ou ainda fazer um aperto com a mão. Sendo assim, é comum concluirmos que sua importância está na aferição da estabilidade primária dos implantes e aperto de parafusos na fase protética para que as peças não se soltem ao longo do tempo.

Ainda que sejam de titânio, os implantes dentários e seus componentes são peças ultrassensíveis. Sobretudo, algo que me levou a escrever este texto foi uma postagem feita em um grupo fechado de Facebook em que dentistas comentavam sobre torque. “Eu instalo implantes com altos torques, como 70N ou 80N”. “Quanto mais torque melhor! Nunca tive problemas.” “Alguns implantes não tem corte nas espiras, então preciso colocar muito torque para que desçam até o local desejado.”

Todas as fábricas e empresas que trabalham com implantes dentários fazem inúmeros testes e estudos. De fato, isso não é à toa. As afirmações acima são perigosas, principalmente se lidas por alguém sem experiência em Implantodontia. Cada fabricante tem suas recomendações bem claras sobre instalação de implantes e componentes. Inclusive, com o torque máximo que as peças aguentam. Sendo assim, para que correr riscos desnecessários de fratura de uma conexão ou de um implante dentro da maxila ou da mandíbula de um paciente?

Tenha sempre o manual do fabricante como seu principal aliado.

Eu vejo que alguns estudos caminham para o uso de torques maiores na instalação de implantes, em busca de maior travamento inicial e estabilidade para cargas imediatas. Sabemos que em casos de implantes que não possuem corte em suas espiras, é preciso preparar o leito corretamente ou utilizar um macho de rosca. Bem como, não é indicado fazer uma força descomunal que vai diminuir a segurança do seu procedimento.

Os casos de quebra são de difícil resolução. É preciso muito cuidado com o torque em implantes de diâmetro reduzido como os de 3.0, 3.3 e 3.5. A propósito, um detalhe que muita gente deixa de lado e que não pode ser esquecido é ler o catálogo de produtos e o manual do fabricante dos implantes que você utiliza. Afinal, você precisa saber o torque máximo que os implantes aguentam e o torque sugerido para os parafusos em cada tipo de conexão e em cada tipo de componente.

Em relação a travamento de implantes, o ideal é que tenham um travamento inicial de 35 a 45N. Não faz sentido instalar implantes com 70, 80 ou mais de 100N. É uma “emoção” desnecessária. Em relação aos componentes protéticos, há marcas que indicam um torque de 32N ou 35N. Outras limitam esse torque a 20 N.

A importância do uso de um torquímetro: 

Recentemente, um colega me contou sobre um caso de um implante na região do dente 46 que teve um parafuso de cobertura fraturado. O paciente precisou viajar a outro estado para ir a fábrica da empresa de implantes para ter seu implante trocado com segurança.

As conexões têm encaixes perfeitos e qualquer entortada por uso extremo de força pode estragar todo seu tratamento. Sem contar que seu instrumental caro também pode entortar. Se não houver vedamento absoluto, você abre espaço para contaminação bacteriana e pode perder esse implante em longo prazo.

Se um parafuso quebra em uma instalação que você está fazendo em uma parede, por exemplo, você simplesmente faz outro furo. Na boca não é assim. Com o planejamento tridimensional, a gente escolhe milimetricamente o melhor lugar para instalar esse implante. “Jogue fácil”. Não invente. Siga à risca as recomendações do fabricante. São aqueles problemas que achamos que não vão acontecer com a gente. Fraturar um implante ou um parafuso dentro do implante é um pesadelo tanto para o dentista quanto para o paciente. Então, segure esse dedo aí e use sempre um torquímetro que permita medir o torque aplicado.

Um Abraço,

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