Gestão e Marketing

Odontologia de R$ 30? Um modelo de negócio arriscado

Odontologia de R$ 30? Um modelo de negócio arriscado
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“Quem não sabe quanto custa, não sabe quanto cobra”, “Muito cuidado quando o preço é menor que o custo”. Uso essas frases constantemente para provocar o pensamento estratégico em odontologia. O preço baixo praticado para execução de um procedimento odontológico pode fazer do negócio um grande desafio, tanto para o dentista (dono da clínica que faz a gestão) quanto para o dentista executor (que faz o procedimento). O preço baixo sugiro fazer em escala, fazer em quantidade para que o faturamento seja maior. E aí surge mais uma pergunta: Quanto mais pacientes, melhor ou pior para as finanças de seu modelo de negócio?

Vou usar uma tabela simples para segmentar os possíveis destinos do dinheiro num procedimento de R$ 30 (trinta reais). Este preço é utilizado em clínicas odontológicas que prestam serviços para atendimento privado popular ou para parcerias com planos odontológicos.

A – Procedimento de R$30,00: de baixa complexidade clínica e com materiais de consumo básico.

B – Dentista executor: que realiza o procedimento e deve ser remunerado por sua presença física durante o serviço. Os três cenários usados são de 40%, 50% e 60%. Atenção! Em muitas clínicas o dentista dono do negócio também atua como executor. Porém, comete um dos maiores erros na gestão de clínicas: não se remuneram como executor.

C – Imposto de Renda: aqui o percentual sugerido foi de 15% como referência para alertar que em todo serviço uma parte deve ser reservada ao planejamento tributário/pagamento de impostos.

D – Material de consumo: com o custo estimado de R$ 6,00 para procedimentos de baixa complexidade clínica e de custo com material. Exemplos: consultas iniciais e de prevenção.

E – Consulta ociosa e glosa: se de cada R$ 100,00 do seu faturamento você perde 20% entre horas sem atendimento, inadimplência ou glosas financeiras de convênios, este custo deve ser rateado na precificação de R$ 30,00. Faz sentido isso?

F – Total dos custos variáveis: são os custos variáveis que o dentista dono tem na sua clínica em cada execução de serviço/procedimento.

Chegamos ao G, ao resultado final, que de forma simbólica, mas com números muito próximos de diversos modelos de clínicas. O resultado final representa quanto o dentista dono ganhou para bancar os custos fixos da clínica e seu pró-labore como os prediais, com recursos humanos, manutenções de equipamentos, etc. Os três Cenários representam para o dentista dono os seguintes resultados:

Cenário 01:

– O dentista dono ganhou R$ 3,00 por serviço executado para cobrir todos os custos fixos da clínica e seu pró-labore.

Cenário 02:

– O dentista dono não teve nenhum ganho pela venda do serviço para cobrir todos os custos fixos da clínica e seu pró-labore.

Cenário 03:

– O dentista dono teve que colocar do seu bolso mais R$ 3,00 por cada serviço executado para cobrir todos os custos fixos da clínica e seu pró-labore.

Conforme pudemos constatar é extremamente importante para preços menores uma visão sempre baseada em gestão de custos. A definição de parcerias com outros profissionais, um correto levantamento dos custos e um bom controle do fluxo de caixa podem ajudar você a conhecer melhor seu negócio. Assim, poderá planejar melhor o futuro de sua carreira.

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