Periodontia

Fenótipo gengival: saiba porque é tão importante analisar

Fenótipo gengival: saiba porque é tão importante analisar
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Certamente você já ouviu falar em fenótipo periodontal, antigamente descrito como biotipo periodontal. A literatura odontológica e a experiência clínica reforçam necessidade de prestarmos atenção no fenótipo gengival. Com isso, teremos uma melhor previsibilidade no planejamento dos nossos implantes dentários.

Principalmente, quando pensamos em sucesso a longo prazo e manutenção da arquitetura periodontal no entorno das próteses sobre implante e dos dentes adjacentes.

Fenótipo gengival no tratamento com implante

O tratamento com implante dentário é dividido em duas partes: cirúrgica e protética. Em ambas temos que levar o fenótipo gengival em conta. De acordo com a Classificação das Doenças e Condições Periodontais e Peri‑implantares de 2018, existe uma maneira simples de classificar os fenótipos ou volumes gengivais tridimensionais. Utilizando a transparência da sonda periodontal, podemos ter as seguintes classificações:

  • Fenótipo gengival fino – sonda visível por transparência, espessura gengival ≤1 mm
  • Fenótipo gengival espesso – sonda não visível, espessura ≥1 mm

Caso você deseje pesquisar mais a fundo, vai encontrar várias denominações e classificações para o fenótipo periodontal. Essas classificações levam em conta o morfotipo ósseo, que pode ser medido através de exames tomográficos e fenótipo gengival. Os periodontistas estudam e utilizam essas exames em cirurgias de aumento de coroa clínica ou harmonização de sorriso gengival. Acredito que para a implantodontia, a checagem com a transparência da sonda seja suficiente.

Atenção ao fenótipo gengival fino

Você deve ficar atento no seu planejamento em casos de fenótipo gengival fino, sobretudo com implantes em área estética. Nesses casos, temos algumas preocupações como a possibilidade de recessão gengival nos dentes adjacentes a região operada. Além disso, a manutenção da margem gengival na coroa sobre implante ao longo do tempo.

Por isso, a recomendação mais aceita atualmente é a de utilizarmos um enxerto de tecido conjuntivo sempre que formos instalar implantes nos dentes anteriores superiores. Com este enxerto, é possível modificar o fenótipo gengival, deixando a gengiva mais espessa. Além disso, aumenta as chances de mantermos papilas e margens gengivais em seus devidos lugares por muito mais tempo.

Por este motivo, é indicada a instalação de implante imediatamente a exodontia minimamente traumática em dentes anteriores na região estética do sorriso. Se realizarmos a exodontia e aguardarmos a cicatrização, a remodelação tecidual vai destruir a arquitetura do periodonto. E, como resultado, podendo deixar um dente mais longo ou ainda perder estruturas nobres como as papilas interdentais.

Como qualquer procedimento, é necessário muita calma!

Independente do fenótipo gengival, é interessante frisar que as cirurgias para instalação de implantes precisam ser feitas com muita calma e delicadeza. Um fenótipo gengival fino “sente” muito mais uma cirurgia “bruta” e responde mal com possíveis recessões na hora da cicatrização. Mais um motivo para planejar sua cirurgia passo a passo, realizar incisões firmes, lineares e precisas, evitar incisões relaxantes em casos unitários e descolar os retalhos sem dilacerar os tecidos. Todo esse cuidado vai permitir suturas mais fáceis e uma cirurgia “limpa”. Nessa hora vale a pena um investimento maior em instrumentais de qualidade.

A propósito, o dente provisório sobre implante, será um grande guia para a gengiva e para o perfil de emergência. Ele será determinante para a posição gengival e para a confecção do dente definitivo. Você precisa tomar muito cuidado para que o dente provisório não pressione muito o tecido gengival, principalmente se tiver detectado um fenótipo fino. Preste atenção para não deixar traumas oclusais em intercuspidação ou em movimentos de lateralidade. Saiba também que o local do ponto de contato pode influenciar na papila que queremos ter naquela região.

É preciso extremo cuidado com fenótipos gengivais finos.

Para concluir, levar o fenótipo gengival em conta na hora de planejar e executar implantes dentários vai nos trazer mais perto da excelência e do sucesso em longo prazo. Além disso, é interessante deixar isso claro para seus pacientes. Pessoas com fenótipo gengival fino possuem uma chance maior de apresentar recessões gengivais, que podem levar a exposição de raiz, hipersensibilidade dentinária e outros problemas dentais. Nosso compromisso mais importante é o sucesso dos nossos tratamentos com implantes no longo prazo, evitando retratamentos que podem tirar o sossego do dentista e do paciente.

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Um abraço,

Luiz Rodolfo

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